segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Em qualquer idade, sejamos livres.

Ia fazer 80 anos e andava meio emburrada com isso. Não que tivesse medo de morrer. Mas tinha um pouco de medo de viver, e do que as pessoas pensavam sobre quem tinha quase 80 anos. Porque ela se sentia com 20. Claro que muita coisa tinha mudado, muita coisa tinha amadurecido, mas muita coisa tinha rejuvenescido também; ou pelo menos, não tinha mudado de idade.

O que mais preocupava era que, aos olhos dos outros, toda pessoa mais velha tende a agir como biruta. Ou dependente. E ela não era nem biruta, nem dependente. E por isso ficava fula da vida.

"Mas escuta, toda idade tem problemas. Criança também é tratada como imbecil. E tem muitos sofrimentos, como por exemplo, quando lhe caem os dentes. Fora aquela eterna sensação de querer ser adulto, de ter liberdade de escolha e de poder ser responsabilizado pelos seus atos, coisa que, pra criança, não chega nunca."

"Cora Coralina, por exemplo..."

"Não me venha com Cora Coralina. Eu não sou Cora Coralina. Eu sou eu. E eu penso o que tenho vontade."

"OK."

Então, por hoje é isso. Sejamos o que somos, reclamemos do que nos dê na telha reclamar. Em qualquer idade, sejamos livres.

 Foto Internet, autor não identificado.

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