Chamaram por Pedro também. Nada. Foram em direção ao lugar para onde Jonas estava apontando, uma mata mais fechada, à esquerda do laranjal. Clara pensou em cobras, onças, aranhas, todo tipo de bicho grande ou pequeno que poderia machucar seu filho querido. Embora procurasse manter o bom humor, ela ainda estava no fundo muito triste com a morte do marido, e frágil o suficiente para enlouquecer com uma outra perda. Crispou as mãos e correu em direção à mata. Antes dela, já ia Gustavo, pulando sobre paus e pedras para chegar logo ao menino.
Procuraram por algum tempo e já estavam ficando bem ansiosos quando ouviram um rosnado sobre suas cabeças. Assustaram-se bastante, e mais ainda quando de repente pulou uma coisa no meio deles: Pedro, com a cara mais sem vergonha do mundo: "Oi mãe! Oi tio! Enganei todo mundo!
Clara, de branca de susto passou à vermelha de raiva em um segundo.
- Pedro! Como que você faz uma coisa dessas, meu filho? Que susto!, e se abaixou para encarar o menino nos olhos e repreendê-lo, mas, feliz que estava por terem se acabado suas preocupações, abraçou-o com ternura e um certo resto de desespero.
Gustavo não quis dizer nada, mas passou o braço em torno dos ombros de Clara na volta para casa, como que a dar-lhe um apoio constante. Clara ia com Pedro pela mão e o pequeno Jonas no colo. Mas... e as laranjas!
Voltaram todos para onde tinham encontrado Jonas à procura do irmão. Encontraram o saco com as laranjas, que Gustavo carregou até em casa.
Clara contou o acontecido para Inês enquanto descascava as laranjas. Deixou as cascas mergulhadas em água enquanto deu banho nos meninos e vestiu os dois para tirarem uma soneca. Enquanto Inês cuidou do banho de Ana, Clara preparou a calda de açúcar e cozinhou nela as casquinhas de laranja cortadas bem fininhas. Quando as crianças acordaram, a casa cheirava a flor de laranjeira.
Almoçaram de olho na sobremesa, que todo mundo ganhou menos Pedro, como castigo pelo susto que havia causado pela manhã. Mas de noite, antes de dormir, até ele ganhou um pouquinho. Afinal, como dizem por aí, de amarga basta a vida. E nessa família, todos gostavam muito de fazer a vida doce.
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