terça-feira, 1 de março de 2016

Ele estava feliz.

E de repente tinham se passado dois dias e a festa com os primos tinha terminado. A casa estava outro alvoroço, desta vez o da hora da despedida, todos arrumando as malas, as mães conferindo as delas, as das crianças e na maioria das vezes, as dos maridos. Sempre acabava alguém esquecendo alguma coisa.

- A carruagem está pronta., declarou Fred bem solene e solícito.

Carregou todas as bagagens com a ajuda do menino carroceiro. Enquanto isso, a família se fartava de beijos, abraços, risadas, conversas compridas de última hora, que todos sabiam que não seriam concluídas. Um farfalhar de saias e perfume de pó de arroz. Até que a carruagem seguiu viagem. Pedro correu atrás dela, até cansar. Aí foi que se lembrou que teria que voltar todo o caminho, e veio reclamando um pouco.

Depois foi o silêncio pela casa, parecia que estavam todos ainda falando por dentro, imersos no vozerio da despedida. Mas por fora, estavam todos quietos e sós. Cada um concentrado no que escolheu fazer naquele momento.

Até que Clara suspirou e sorriu. Lembrou que quando conversou com a prima sobre Gustavo, se sentiu desconfortável. Alguma coisa ela ainda não havia entendido sobre seus sentimentos, então permanecia no desconforto. Mas estava tranquila assim mesmo. Revelou o que já sabemos, que ela não imaginava que alguém solitário pudesse ser agradável como ele.

As cortinas voaram deixando entrar uma brisa que distraiu Gustavo de seus pensamentos. Olhou para a janela e viu o entardecer. Viu a curvatura das montanhas de encontro ao céu de nuvens afogueadas, azul, laranja, amarelo, rosa... Pensou em quando o marido da prima de Clara quis saber se ele estava confortável com a situação. Não conseguiu responder, porque o que ele estava sentindo em companhia dela não se descrevia com palavras relacionadas a conforto. Agora sabia. Ele estava feliz.