Uma vez minha filha me fez a seguinte pergunta: - "Quando você era garota e não tinha celular, como é que vocês marcavam de se encontrar? Pra ir a um barzinho, por exemplo..."
- "A gente combinava com antecedência.", respondi.
Naquele tempo com menos margem para espontaneidade, calendário era imprescindível. Hoje em dia não faz tanta falta. Basta celular e um grupo de whatsapp pra resolver tudo ali na hora. Ninguém nem precisa saber que dia é hoje.
Junte-se a esse momento atual o meu completo e absoluto afastamento da TV já há 7 anos. Não ouvi NADA sobre passagem de ano, megafesta da virada, não fui contagiada. A passagem do ano, para mim, significa sempre só o que é: eu já estive aqui antes, nesse mesmo lugar, no meu giro em torno do Sol. E se der sorte, vou estar novamente muitas e muitas vezes ainda. Eu e nós, cada um.
O que eu sei é que este ano vai ter amigo meu passando junto com filho ou filha que não existia na última vez que eles estiveram aqui. Isso é legal.
Espero que em 2016 a gente fique firme e confiante, e que nos aconteçam só coisas boas. Mesmo sem ligar pra calendário e pra clima de reveillon, toda vez que penso no tempo, só quero é desejar coisas boas para todo mundo.
Um grande beijo para todos! E feliz 2016!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
... comendo um feijãozinho com bertalha, feliz da vida.
Vontade de comer feijão.
Tem quem fique revoltado quando o brasileiro vai viajar para fora do país e fica com saudade de feijão. Tem quem entenda. Tem quem não entenda como é que alguém pode passar um dia sem feijão. Tem o feijão do Mário, lá do Espírito Santo, plantado pelo pai dele, que a gente só precisa deixar uma horinha de molho (às vezes menos) e 20 minutinhos na panela de pressão com uma folhinha do louro e ...
( Peraí um instantinho que eu vou lá pegar mais um pouco de feijão.)
... um dente de alho e pronto, tá cozido, macio e maravilhoso, cada grão lindo que dá gosto de ver. E depois é temperar a gosto e comer até chegar a hora de colocar mais de molho. O Mário tem feijão preto e vermelho. Adoro os dois.
Uma história que eu não posso deixar de contar de feijão, foi que quando a minha filha veio da escola uma vez com a ideia e plantou 3 feijões num algodão, eles cresceram, a gente passou as três plantinhas para a terra do jardim e elas aproveitaram, frutificaram e a gente fez um feijãozinho maneiro no aniversário dela pra comer com as amigas. Eu devo confessar que eu ficava dizendo o tempo todo que nunca vi produtividade igual a de feijão: 3 grãozinhos de nada viraram, sei lá, uns 1000. Um lucro absurdo. :)
Uma coisa que combina muito com feijão é bertalha. Bertalha quando tua horta se ajeita com ela, é ouro verde. Cresce sozinha, linda, viva, sai fazendo telhadinho prás outras plantas, e na hora que o feijão tá ali quentinho na panela, você corre na horta, pega umas folhinhas de bertalha direto no pé, 100% macrobiótica, joga dentro da panela e dois minutos depois você poderá estar assim que nem eu tô agora: comendo um feijãozinho com bertalha, feliz da vida.
Tem quem fique revoltado quando o brasileiro vai viajar para fora do país e fica com saudade de feijão. Tem quem entenda. Tem quem não entenda como é que alguém pode passar um dia sem feijão. Tem o feijão do Mário, lá do Espírito Santo, plantado pelo pai dele, que a gente só precisa deixar uma horinha de molho (às vezes menos) e 20 minutinhos na panela de pressão com uma folhinha do louro e ...
( Peraí um instantinho que eu vou lá pegar mais um pouco de feijão.)
... um dente de alho e pronto, tá cozido, macio e maravilhoso, cada grão lindo que dá gosto de ver. E depois é temperar a gosto e comer até chegar a hora de colocar mais de molho. O Mário tem feijão preto e vermelho. Adoro os dois.
Uma história que eu não posso deixar de contar de feijão, foi que quando a minha filha veio da escola uma vez com a ideia e plantou 3 feijões num algodão, eles cresceram, a gente passou as três plantinhas para a terra do jardim e elas aproveitaram, frutificaram e a gente fez um feijãozinho maneiro no aniversário dela pra comer com as amigas. Eu devo confessar que eu ficava dizendo o tempo todo que nunca vi produtividade igual a de feijão: 3 grãozinhos de nada viraram, sei lá, uns 1000. Um lucro absurdo. :)
Uma coisa que combina muito com feijão é bertalha. Bertalha quando tua horta se ajeita com ela, é ouro verde. Cresce sozinha, linda, viva, sai fazendo telhadinho prás outras plantas, e na hora que o feijão tá ali quentinho na panela, você corre na horta, pega umas folhinhas de bertalha direto no pé, 100% macrobiótica, joga dentro da panela e dois minutos depois você poderá estar assim que nem eu tô agora: comendo um feijãozinho com bertalha, feliz da vida.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
... ele era só chato mesmo.
Ele reclamava muito. Nunca mantinha uma atitude positiva diante dos problemas, só reclamava. Estava fazendo calor? Ah, que droga esse calor. Não aguento mais esse calor. Estava faltando dinheiro? Ah, que coisa, trabalho tanto e vivo nesse miserê. Arrumavam um projeto novo lá na empresa pra ganhar mais dinheiro? Ah, que medo, isso não vai dar certo, é uma ideia muito doida. Em resumo, ele era medroso e chato. E se alguém falasse alguma coisa sobre isso, fingia de triste e se fazia de vítima.
Mas no fundo, bem lá no fundo... ele era só chato mesmo.
Mas no fundo, bem lá no fundo... ele era só chato mesmo.
domingo, 27 de dezembro de 2015
A gente lembra de coisa que nunca quis esquecer.
Os armários das minhas avós eram diferentes, mas ambos eram fascinantes para mim.
No de uma delas, alto, se a gente subisse numa cadeira e esticasse bem o braço e passasse de um lado para o outro, acabava achando uma caixa de madeira cheia, mas cheia de moedas. Eu adorava pegar a caixa, derrubar tudo na cama e ficava ali um tempão, admirando, separando e fazendo pilhas de moedas do mesmo tamanho. Às vezes ela sentava comigo e me contava histórias sobre as moedas. "Essa foi um troco de um sorvete que o seu avô comprou para mim." Moedas com memórias. No armário dessa vovó, outro tesouro querido eram os romances em livro de bolso, baratinhos, comprados na banca de jornal. Tinha um monte também. Li todos. E eu pensava, "um dia, quando eu crescer, eu vou escrever romances assim, baratinhos, pra vender na banca de jornal." Outra coisa que eu gostava no armário da vovó eram os perfumes dela. E as maquiagens. E as luvas. Essa vovó tinha luvas de pelica, que eu calçava e ficava fingindo que era artista de cinema.
O armário da outra avó era diferente. Menorzinho, mais claro. O que eu mais adorava, que tinha lá dentro, era uma boneca que tinha sido da minha mãe e que tinha cara de porcelana. Ela deixava eu brincar um pouquinho com a boneca, mas não muito, porque podia quebrar e ela já guardava a boneca há muito tempo pra deixar acontecer uma bobeira qualquer. Essa vovó também guardava uma pilha lisinha de papel de presente usado. Quando acabavam as festas, ela sempre passava os papéis a ferro, alisava direitinho e dobrava pra usar depois. Outra coisa que tinha no armário dessa avó era um monte de caixas de sapatinho de crochê que ela fazia pros nenéns que eram pobres. Ela tinha horror de sentir frio nos pés. E essa vovó também tinha maquiagem, sendo que uma eu achava especial: um lápis preto que ela usava pra fazer uma pinta acima do lábio, quando saía. Ficava bonita a minha avó, com a pinta.
Tinha me esquecido dos armários das avós. Isso de escrever tem suas vantagens. Uma delas é essa. A gente lembra de coisa que nunca quis esquecer.
No de uma delas, alto, se a gente subisse numa cadeira e esticasse bem o braço e passasse de um lado para o outro, acabava achando uma caixa de madeira cheia, mas cheia de moedas. Eu adorava pegar a caixa, derrubar tudo na cama e ficava ali um tempão, admirando, separando e fazendo pilhas de moedas do mesmo tamanho. Às vezes ela sentava comigo e me contava histórias sobre as moedas. "Essa foi um troco de um sorvete que o seu avô comprou para mim." Moedas com memórias. No armário dessa vovó, outro tesouro querido eram os romances em livro de bolso, baratinhos, comprados na banca de jornal. Tinha um monte também. Li todos. E eu pensava, "um dia, quando eu crescer, eu vou escrever romances assim, baratinhos, pra vender na banca de jornal." Outra coisa que eu gostava no armário da vovó eram os perfumes dela. E as maquiagens. E as luvas. Essa vovó tinha luvas de pelica, que eu calçava e ficava fingindo que era artista de cinema.
O armário da outra avó era diferente. Menorzinho, mais claro. O que eu mais adorava, que tinha lá dentro, era uma boneca que tinha sido da minha mãe e que tinha cara de porcelana. Ela deixava eu brincar um pouquinho com a boneca, mas não muito, porque podia quebrar e ela já guardava a boneca há muito tempo pra deixar acontecer uma bobeira qualquer. Essa vovó também guardava uma pilha lisinha de papel de presente usado. Quando acabavam as festas, ela sempre passava os papéis a ferro, alisava direitinho e dobrava pra usar depois. Outra coisa que tinha no armário dessa avó era um monte de caixas de sapatinho de crochê que ela fazia pros nenéns que eram pobres. Ela tinha horror de sentir frio nos pés. E essa vovó também tinha maquiagem, sendo que uma eu achava especial: um lápis preto que ela usava pra fazer uma pinta acima do lábio, quando saía. Ficava bonita a minha avó, com a pinta.
Tinha me esquecido dos armários das avós. Isso de escrever tem suas vantagens. Uma delas é essa. A gente lembra de coisa que nunca quis esquecer.
sábado, 26 de dezembro de 2015
Para qualquer uma.
Princesas também podem ser bem atrapalhadas quando o assunto é amor. Só fazer o amor de assunto, já é um belo de um sinal de atrapalhação. Obsessões, perseguições, desespero, depressão... nem a princesa escapou. O que traz equilíbrio e serenidade é autoestima. Para qualquer uma.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
Essa história foi curtinha.
Ele tinha cabelos ruivos e sardas desde que nasceu. Só aumentaram com a idade, e agora, aos 21, poderia ter o apelido de ferrugem. Mas apelidos estavam fora de moda, então todo mundo o chamava pelo seu nome mesmo, Henrique. Ele não sabia se era filho do pai dele mesmo, ou do namorado da mãe. Ele era muito parecido com o namorado da mãe, mas também com o irmão dela, então ele deixava pra lá. Doía, mas ele procurava não pensar nisso. Fosse filho de quem fosse, ele era único. E ia viver a vida dele do jeito que inventasse.
Quando conheceu a menina bonita de cabelos longos e olhos sorridentes, disse que estava ocupado demais para se apaixonar. Foi fazer um curso fora, aprender a pilotar aviões de guerra. Saía um pouco com os amigos e passava a maior parte do tempo lendo.
Duas vezes por ano voltava pra casa e numa dessas vezes, viu a moça bonita se atrapalhando toda com o guarda-chuva no vento. Deixou pra lá, porque ainda não tinha terminado de aprender a viver a vida que queria. Ela conseguiu se ajeitar com o guarda-chuva sozinha.
Três anos mais tarde, sabia voar, sabia o que queria da vida e sabia que estava faltando alguma coisa, mas não sabia o quê. Até que foi nadar e viu de longe a moça secando os cabelos na beira do lago. Chegou perto e puxou um papo sobre que dia lindo, que água fresca, que vida boa.
Hoje nasceu o filhinho deles, ruivo igual ao pai, com olhos sorridentes igual à mãe.
Essa história foi curtinha.
Quando conheceu a menina bonita de cabelos longos e olhos sorridentes, disse que estava ocupado demais para se apaixonar. Foi fazer um curso fora, aprender a pilotar aviões de guerra. Saía um pouco com os amigos e passava a maior parte do tempo lendo.
Duas vezes por ano voltava pra casa e numa dessas vezes, viu a moça bonita se atrapalhando toda com o guarda-chuva no vento. Deixou pra lá, porque ainda não tinha terminado de aprender a viver a vida que queria. Ela conseguiu se ajeitar com o guarda-chuva sozinha.
Três anos mais tarde, sabia voar, sabia o que queria da vida e sabia que estava faltando alguma coisa, mas não sabia o quê. Até que foi nadar e viu de longe a moça secando os cabelos na beira do lago. Chegou perto e puxou um papo sobre que dia lindo, que água fresca, que vida boa.
Hoje nasceu o filhinho deles, ruivo igual ao pai, com olhos sorridentes igual à mãe.
Essa história foi curtinha.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Vou ter que pedir pra mamãe fazer de novo.
Nunca mais eu vacilo com as rabanadas feitas pela minha mãe. Esse ano, não sobrou nenhumazinha pra mim. Quando eu vi que estavam acabando, separei 3 pra mim na geladeira, mas vacilei novamente e quando fui pegar vi que também foram comidas. Vou ter que pedir pra mamãe fazer de novo.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Hoje eu sou vocês amanhã.
A véspera de Natal aqui em casa, esse ano, foi na véspera. E a ceia foi de dia e com inspiração escandinava.
Mingau de arroz com canela pra começar. Nem todo mundo gosta, mas alguns adoram (eu, por exemplo). Depois, canapés de queijo brie, damascos, geléias, tomatinhos, queijo cremoso... que "as crianças" montaram juntas, enquanto conversavam, deliciosos e muito bem enfeitados.
Em seguida, acompanhado por vinho branco para a maioria e por suco de abacaxi com hortelã para os abstêmios, o famoso gravlax, salmão só curtido no sal e no açúcar, desde domingo sendo virado de um lado para outro na geladeira, e hoje fatiado fininho e servido com molho especial feito lá na Suécia.
"O gravlax (salmão enterrado) surge na Idade Média como uma forma de conservação do peixe, usada pelos pescadores da Península Escandinava, que salgavam e enterravam o salmão na praia, acima da linha da maré alta, deixando-o fermentar nas areias geladas."
A pièce de résistence foi um pernil com cebolinhas caramelizadas, batatinhas, pimentão colorido, alecrim... perfumado, gostoso e maravilhoso, que eu fiz sozinha e que me deixou bem orgulhosa. Este teve como acompanhamento purê de maçã (äppelmos) e repolho roxo temperado com cravo, porque Natal tem cheiro de cravo e canela, não é mesmo? Vinho tinto para os comuns e suco de uva para os abstêmios.
Rabanadas deliciosas feitas pelas mãos de fada da minha mãe. E todo mundo já estava bem satisfeito quando abriram os presentes. Foi bem legal. Muito papo gostoso, muito abraço, muito beijo. Muito bom.
E agora todo mundo que veio já foi e eu to aqui na minha caminha, escrevendo esse texto pra poder dormir tranquila, o que não vai demorar nadinha.
Hoje eu sou vocês amanhã.
Mingau de arroz com canela pra começar. Nem todo mundo gosta, mas alguns adoram (eu, por exemplo). Depois, canapés de queijo brie, damascos, geléias, tomatinhos, queijo cremoso... que "as crianças" montaram juntas, enquanto conversavam, deliciosos e muito bem enfeitados.
Em seguida, acompanhado por vinho branco para a maioria e por suco de abacaxi com hortelã para os abstêmios, o famoso gravlax, salmão só curtido no sal e no açúcar, desde domingo sendo virado de um lado para outro na geladeira, e hoje fatiado fininho e servido com molho especial feito lá na Suécia.
"O gravlax (salmão enterrado) surge na Idade Média como uma forma de conservação do peixe, usada pelos pescadores da Península Escandinava, que salgavam e enterravam o salmão na praia, acima da linha da maré alta, deixando-o fermentar nas areias geladas."
A pièce de résistence foi um pernil com cebolinhas caramelizadas, batatinhas, pimentão colorido, alecrim... perfumado, gostoso e maravilhoso, que eu fiz sozinha e que me deixou bem orgulhosa. Este teve como acompanhamento purê de maçã (äppelmos) e repolho roxo temperado com cravo, porque Natal tem cheiro de cravo e canela, não é mesmo? Vinho tinto para os comuns e suco de uva para os abstêmios.
Rabanadas deliciosas feitas pelas mãos de fada da minha mãe. E todo mundo já estava bem satisfeito quando abriram os presentes. Foi bem legal. Muito papo gostoso, muito abraço, muito beijo. Muito bom.
E agora todo mundo que veio já foi e eu to aqui na minha caminha, escrevendo esse texto pra poder dormir tranquila, o que não vai demorar nadinha.
Hoje eu sou vocês amanhã.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
E cabelos de raio de sol.
Um menino chamado Juca. Morava com os pais numa rua meio longe da praia, até para ir de bicicleta. Brincava andando nos muros entre as casas, soltava pipa, jogava oiti nos carros que passavam de vez em quando e corria pra se esconder. Jogava bola, peteca, invadia os quintais dos vizinhos quando estavam fora, para investigações variadas. Ia ao cinema aos domingos, pertinho de casa. Chegava às duas, saía às seis, sempre sessão dupla. Viu "Os dez mandamentos" umas 10 vezes.
Mas o que ele gostava mesmo era de ir à praia. De vez em quando a mãe não estava cansada, o pai não estava mal-humorado, então eles pegavam o carro e dirigiam até o desejo de Juca.
O mar brilhava sempre. As pedras eram quentes e ele se sentia poderoso quando andava até em cima da que chamavam de baleia. Lá no alto ele ficava admirando os rapazes e moças que conseguiam saltar e mergulhar no mar lá embaixo. Mas ele ainda era pequeno demais para tentar. Voltava para a areia e ia construir túneis, castelos e pegar tatuís num balde. Quando chegassem em casa a mãe iria cozinhá-los até ficarem cor de rosa e bons pra comer. Por enquanto ficavam lá no balde de Juca, dentro da água salgada do mar.
O pai era forte e os dois ficavam furando uma onda atrás da outra. Às vezes ele se atrapalhava e levava uma soca daquelas, rolava no fundo sem ar por um tempo e assim que dava surgia descabelado, cheio de areia, respirando meio desesperado e todo feliz.
Gostava de deitar na areia depois, exausto, por uns dois minutos, e saía correndo de novo catando conchas, que também iam parar no balde dos tatuís.
Foi num dia desses de praia que o Juca conheceu a Mariana. Ela vendia brincos e era quase adulta e era bonita de dar dó. Conversou com a mãe de Juca e quando viu o menino abriu um sorriso lindo que ele não esquece até hoje. Os dentes da Mariana. E os cabelos dela brilhando de água de mar e de raios de sol. As pulseiras da Mariana, coloridas e enfeitando ela. Mariana nunca saiu da cabeça do Juca, que depois de muitos anos acabou casando com a Carol, que não gostava de usar enfeites, mas que também tinha um sorriso lindo. E cabelos de raio de sol.
Mas o que ele gostava mesmo era de ir à praia. De vez em quando a mãe não estava cansada, o pai não estava mal-humorado, então eles pegavam o carro e dirigiam até o desejo de Juca.
O mar brilhava sempre. As pedras eram quentes e ele se sentia poderoso quando andava até em cima da que chamavam de baleia. Lá no alto ele ficava admirando os rapazes e moças que conseguiam saltar e mergulhar no mar lá embaixo. Mas ele ainda era pequeno demais para tentar. Voltava para a areia e ia construir túneis, castelos e pegar tatuís num balde. Quando chegassem em casa a mãe iria cozinhá-los até ficarem cor de rosa e bons pra comer. Por enquanto ficavam lá no balde de Juca, dentro da água salgada do mar.
O pai era forte e os dois ficavam furando uma onda atrás da outra. Às vezes ele se atrapalhava e levava uma soca daquelas, rolava no fundo sem ar por um tempo e assim que dava surgia descabelado, cheio de areia, respirando meio desesperado e todo feliz.
Gostava de deitar na areia depois, exausto, por uns dois minutos, e saía correndo de novo catando conchas, que também iam parar no balde dos tatuís.
Foi num dia desses de praia que o Juca conheceu a Mariana. Ela vendia brincos e era quase adulta e era bonita de dar dó. Conversou com a mãe de Juca e quando viu o menino abriu um sorriso lindo que ele não esquece até hoje. Os dentes da Mariana. E os cabelos dela brilhando de água de mar e de raios de sol. As pulseiras da Mariana, coloridas e enfeitando ela. Mariana nunca saiu da cabeça do Juca, que depois de muitos anos acabou casando com a Carol, que não gostava de usar enfeites, mas que também tinha um sorriso lindo. E cabelos de raio de sol.
domingo, 20 de dezembro de 2015
E brincos com brilho.
Domingo à noite. Lua quase cheia de Natal. Dia só pra mim. Limpei ainda mais um pouco a casa e agora ela está pronta para receber umas flores. Eu acho também que umas almofadas coloridas cairiam muito bem. E um vestido novo. E brincos com brilho.
sábado, 19 de dezembro de 2015
Bom Natal para todos!
Hoje arrumei a casa para a festa de Natal. Está o melhor possível, toda pintadinha e bonita. E limpa. Já há algum tempo, eu venho reduzindo os objetos. Hoje não tenho quase nada, mas de tudo o que tenho eu gosto. Tudo me faz feliz.
É isso por hoje. Bom Natal para todos!
É isso por hoje. Bom Natal para todos!
Boa noite. :)
E aí hoje já é amanhã. Mas como ainda não dormi, vale como hoje. E hoje eu fui pro Rio com Michael e Vincent, pro Vincent ter uma sexta-feira à noite carioca da gema. Foi bom. Finalzinho do Leblon, Dias Ferreira, um barzinho italiano chamado STUZZI.
Recomendo. E agradeço a indicação ao Toufik, meu agente de viagens querido. Comi um tartar de salmão muito caprichado e bebi um suco de abacaxi refrescantérrimo. Vaga eu sempre arrumo em frente, parece até magia.
Depois uma voltinha a pé, choppinho pra eles geladinho na calçada do Jobi, inaugurado em 1956. Mais velho que eu, o Jobi. Chego no balcão prá fazer as honras da casa, o moço queria me dar chopp em copo de plástico, porque "tem muita gente na calçada". E aí eu disse: "mas prá dois estrangeiros não fica bonito a gente servir no copo de plástico, não é a mesma coisa, quebra esse galho pelo Rio de Janeiro!" E abri aquele sorriso cativante que Deus me deu. Saí de lá com dois choppinhos super gelados no copo de vidro. Beleza. Os estrangeiros apreciaram bastante.
Depois caminhada até a praia, uma cerveja saideira no outro bar, desta vez artesanal, depois um koni pra cada um, sorvete, e voltamos pra cidade sorriso. Vincent dormindo no carro igual criança.
E eu firme dirigindo na força do suco de abacaxi.
Foi uma noite bem boa. Boa noite. :)
Recomendo. E agradeço a indicação ao Toufik, meu agente de viagens querido. Comi um tartar de salmão muito caprichado e bebi um suco de abacaxi refrescantérrimo. Vaga eu sempre arrumo em frente, parece até magia.
Depois uma voltinha a pé, choppinho pra eles geladinho na calçada do Jobi, inaugurado em 1956. Mais velho que eu, o Jobi. Chego no balcão prá fazer as honras da casa, o moço queria me dar chopp em copo de plástico, porque "tem muita gente na calçada". E aí eu disse: "mas prá dois estrangeiros não fica bonito a gente servir no copo de plástico, não é a mesma coisa, quebra esse galho pelo Rio de Janeiro!" E abri aquele sorriso cativante que Deus me deu. Saí de lá com dois choppinhos super gelados no copo de vidro. Beleza. Os estrangeiros apreciaram bastante.
Depois caminhada até a praia, uma cerveja saideira no outro bar, desta vez artesanal, depois um koni pra cada um, sorvete, e voltamos pra cidade sorriso. Vincent dormindo no carro igual criança.
E eu firme dirigindo na força do suco de abacaxi.
Foi uma noite bem boa. Boa noite. :)
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Leila vai descansar hoje.
Eu agora estou querendo mesmo é ver um filme que comecei a ver ontem, falado em francês, sobre um casal que não se entende mas se ama. Parece. Vou ver então. Uma boa noite pra todos. Leila vai descansar hoje.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Ana de carnaval e o príncipe dela.
Ah, o amor. O amor deixa a gente tonto.
Já era a quarta vez que Ana passava o Carnaval na esperança de achar o príncipe encantado entre os foliões no Clube Piratas. Cidade pequena, mas cheia de turistas querendo banho de água de rio pra refrescar do calor infernal e rede armada embaixo das mangueiras pra dormir de tarde.
O carnaval no Clube era tradição e novidade ao mesmo tempo. O que Ana queria encontrar podia ser uma emoção antiga ou um arrebatamento. Estava preparada para tudo.
A fantasia desse ano era de odalisca. Tinha enjoado das baianas e tinha lido As Mil e uma Noites pra um trabalho da escola. Esperneou em casa que não queria mais baiana, nunca mais nessa vida, e apresentou para a mãe um desenho feito por ela mesma, da odalisca desejada. Preta, perfeita. Com pedrarias e panos esvoaçantes. Comprou confete e serpentina. Tomou uma vodca com redbull e partiu pro abraço.
De longe ouvia o táááá tá tá tá tá tá tá da banda carnavalesca. Bem legal. De perto, encarou o bilheteiro com sorriso de batom vermelho e ingresso na mão. Subiu as escadas.
Quando chegou no salão, o calor aumentou. Gente pulando, suada, bagunça mesmo, bacana. Ana se jogou no baile e o baile recebeu Ana com alegria.
Até que ela tropeçou, perdeu o equilíbrio, e aí ouviu um "opa, segura aqui em mim, não cai não."
Fizeram 25 anos de casados ontem. Ana de carnaval e o príncipe dela.
Já era a quarta vez que Ana passava o Carnaval na esperança de achar o príncipe encantado entre os foliões no Clube Piratas. Cidade pequena, mas cheia de turistas querendo banho de água de rio pra refrescar do calor infernal e rede armada embaixo das mangueiras pra dormir de tarde.
O carnaval no Clube era tradição e novidade ao mesmo tempo. O que Ana queria encontrar podia ser uma emoção antiga ou um arrebatamento. Estava preparada para tudo.
A fantasia desse ano era de odalisca. Tinha enjoado das baianas e tinha lido As Mil e uma Noites pra um trabalho da escola. Esperneou em casa que não queria mais baiana, nunca mais nessa vida, e apresentou para a mãe um desenho feito por ela mesma, da odalisca desejada. Preta, perfeita. Com pedrarias e panos esvoaçantes. Comprou confete e serpentina. Tomou uma vodca com redbull e partiu pro abraço.
De longe ouvia o táááá tá tá tá tá tá tá da banda carnavalesca. Bem legal. De perto, encarou o bilheteiro com sorriso de batom vermelho e ingresso na mão. Subiu as escadas.
Quando chegou no salão, o calor aumentou. Gente pulando, suada, bagunça mesmo, bacana. Ana se jogou no baile e o baile recebeu Ana com alegria.
Até que ela tropeçou, perdeu o equilíbrio, e aí ouviu um "opa, segura aqui em mim, não cai não."
Fizeram 25 anos de casados ontem. Ana de carnaval e o príncipe dela.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
E esse foi o conto de hoje.
Esse é um blog, um diário de contos. Entre outras coisas.
Há muito tempo atrás, no tempo em que as ruas eram iluminadas por lampiões, se você pegasse a barca do Rio para Niterói numa noite escura, poderia te acontecer algo parecido com isso que eu vou contar agora.
O José trabalhava no Rio e morava em Niterói. Quando deixava a Estação das Barcas e pegava a margem da esquerda, a caminho de casa, estava sempre já escuro e quieto. Ele estava até acostumado a enxergar com a luz da Lua, quando havia, ou menos um pouco quando não havia nada.
Uma noite, ele ouviu um chorinho. Fraco, mas presente. E José caminhou mais para perto da fonte do som e viu o que pensava que ia ver: um bebezinho, embrulhado numa mantinha, chorando baixinho. Sozinho. José na mesma hora pegou o bebezinho no colo e foi em busca de ajuda.
Os lampiões ficavam bem longe um do outro e assim que chegou no seguinte, José quis ver a carinha do bebê e lhe prestar mais algum consolo. Pois, ao afastar a manta e olhar para o seu rostinho, José, horrorizado, viu que a criança tinha dentes gigantes de rato. Compridos, grossos, amarelados, dois deles chegavam-lhe ao queixo.
José jogou a criança no mato e o mais rápido que pode correu desabalado na direção do próximo poste de luz. Ao se aproximar, percebeu que lá estava um guarda municipal prestando vigilância.
O esbaforido e ofegante José conseguiu chegar até o guarda, ainda correndo e gritando e resumindo a história esganiçadamente assim: "Eu vi um bebê horrível com dentes enormes de rato!"
Ao que o guarda se virou... devagar... a luz do lampião revelando aos poucos a sua cara estranha, e perguntou com toda a calma e numa voz bem grave: "Maiores do que os MEUS?"
Seus dentes horríveis, compridos, grossos e amarelados, chegavam-lhe até o peito.
E esse foi o conto de hoje.
Há muito tempo atrás, no tempo em que as ruas eram iluminadas por lampiões, se você pegasse a barca do Rio para Niterói numa noite escura, poderia te acontecer algo parecido com isso que eu vou contar agora.
O José trabalhava no Rio e morava em Niterói. Quando deixava a Estação das Barcas e pegava a margem da esquerda, a caminho de casa, estava sempre já escuro e quieto. Ele estava até acostumado a enxergar com a luz da Lua, quando havia, ou menos um pouco quando não havia nada.
Uma noite, ele ouviu um chorinho. Fraco, mas presente. E José caminhou mais para perto da fonte do som e viu o que pensava que ia ver: um bebezinho, embrulhado numa mantinha, chorando baixinho. Sozinho. José na mesma hora pegou o bebezinho no colo e foi em busca de ajuda.
Os lampiões ficavam bem longe um do outro e assim que chegou no seguinte, José quis ver a carinha do bebê e lhe prestar mais algum consolo. Pois, ao afastar a manta e olhar para o seu rostinho, José, horrorizado, viu que a criança tinha dentes gigantes de rato. Compridos, grossos, amarelados, dois deles chegavam-lhe ao queixo.
José jogou a criança no mato e o mais rápido que pode correu desabalado na direção do próximo poste de luz. Ao se aproximar, percebeu que lá estava um guarda municipal prestando vigilância.
O esbaforido e ofegante José conseguiu chegar até o guarda, ainda correndo e gritando e resumindo a história esganiçadamente assim: "Eu vi um bebê horrível com dentes enormes de rato!"
Ao que o guarda se virou... devagar... a luz do lampião revelando aos poucos a sua cara estranha, e perguntou com toda a calma e numa voz bem grave: "Maiores do que os MEUS?"
Seus dentes horríveis, compridos, grossos e amarelados, chegavam-lhe até o peito.
E esse foi o conto de hoje.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
E amanhã, eu vou ver Alice.
23:17h, eu não comecei, mas vou começar. E terminar rápido, pelo menos foi assim que eu pensei.
Hoje tem possibilidade de chuva de meteoros e dá pra ver o céu em Niterói. Aproveitem.
http://earthsky.org/astronomy-essentials/earthskys-meteor-shower-guide#geminids
Hoje eu ainda estou cozinhando umas batatas e vou acrescentar umas bertalhas da horta, fazer uma sopinha, comer, e vou dormir tranquila.
E amanhã, eu vou ver Alice.
Hoje tem possibilidade de chuva de meteoros e dá pra ver o céu em Niterói. Aproveitem.
http://earthsky.org/astronomy-essentials/earthskys-meteor-shower-guide#geminids
Hoje eu ainda estou cozinhando umas batatas e vou acrescentar umas bertalhas da horta, fazer uma sopinha, comer, e vou dormir tranquila.
E amanhã, eu vou ver Alice.
domingo, 13 de dezembro de 2015
Mais umas lembrancinhas pra encher papel em branco.
No meu aniversário de 8 anos, eu ganhei três presentes maravilhosos: um quarto só para mim, a coleção completa dos livros do Monteiro Lobato, que tenho até hoje na estante de casa, e uma vitrolinha com um disco do Renato e seus Blue Caps. Meu aniversário é em outubro e só tive que esperar um mês e pouco para estar de férias e poder passar o tempo todo como eu mais gosto na vida: lendo e ouvindo música.
Os livros eu li sem parar. "O Sítio do Picapau Amarelo" foi meu quintal por 3 anos, até eu encontrar a neve nos livros da Laura Ingalls Wilder. Reinações de Narizinho eu li 7 vezes e depois parei de contar. Vivi aquele monte de aventuras com eles, fui para a Grécia, fui andar em cometa, fiquei pequenininha junto com a Emília, fiquei amiga do Anjinho da Asa Quebrada. E o disco do Renato, ouvi direto mesmo depois que esqueci na janela do quarto, no sol, e ele ficou todo ondulado. Então, quando tocava, bem nas ondas ele fazia um som meio uonnnn, mas eu ouvia assim mesmo. Apaixonada. Cada música tão bonitinha e eu achava o Renato lindo.
♪♫♩ "Fui o seu... primeiro namorado!" ♪♫♩
E como não tinha a goiabada da vovó, eu comia Frumelo, um caramelo rosa, delicioso, que vinha embrulhado um a um dentro de um saquinho transparente, ou então uma barra grande de chocolate branco com frutas cristalizadas, bem docinho.
Mais umas lembrancinhas pra encher papel em branco.
Os livros eu li sem parar. "O Sítio do Picapau Amarelo" foi meu quintal por 3 anos, até eu encontrar a neve nos livros da Laura Ingalls Wilder. Reinações de Narizinho eu li 7 vezes e depois parei de contar. Vivi aquele monte de aventuras com eles, fui para a Grécia, fui andar em cometa, fiquei pequenininha junto com a Emília, fiquei amiga do Anjinho da Asa Quebrada. E o disco do Renato, ouvi direto mesmo depois que esqueci na janela do quarto, no sol, e ele ficou todo ondulado. Então, quando tocava, bem nas ondas ele fazia um som meio uonnnn, mas eu ouvia assim mesmo. Apaixonada. Cada música tão bonitinha e eu achava o Renato lindo.
♪♫♩ "Fui o seu... primeiro namorado!" ♪♫♩
E como não tinha a goiabada da vovó, eu comia Frumelo, um caramelo rosa, delicioso, que vinha embrulhado um a um dentro de um saquinho transparente, ou então uma barra grande de chocolate branco com frutas cristalizadas, bem docinho.
Mais umas lembrancinhas pra encher papel em branco.
sábado, 12 de dezembro de 2015
Para começar tudo de novo de novo.
Era uma vez uma casa de vó numa cidade pequena, chamada pelo nome do rio que corria nela.
Tinha um cinema só e uma feira livre todo sábado, onde as pessoas podiam comprar frutas, legumes, e também pequenos presentes e utilidades domésticas.
Feijão, arroz e milho eram comprados a granel. Na mercearia havia várias gavetas grandes, de balanço, cheias de cereal, e você podia pegar a quantidade desejada usando uma colher grande de alça. Colocava o que quisesse num saco de papel e levava pra casa. E quando fosse cozinhar, tinha que catar o feijão, porque vinha junto feijão bom, feijão esquisito, pedrinhas e pedacinhos de pau. E o movimento das mãos da avó separando o feijão bom do que não era feijão bom era encantador.
O banho de rio era todo dia no verão. As pedras roladas no fundo eram boas de pisar e a água era muito fresquinha. E o som do rio, muito bonito. O céu da noite era preto, coalhado de estrelas, e passava satélite que a gente ficava acompanhando.
O entardecer era cheio de vagalumes. E o rio, de filhotes de sapo. Girinos pretinhos, bolinha e rabinho, que cresciam devagar pernas e braços e cabeça de sapo. E aí podiam morar fora d'água e sair pulando por aí.
E tinha flamboyant com suas raízes enormes e suas folhas vermelhas. E tinha muita goiaba e a avó fazia goiabada no tacho e depois de pronta colocava em cima da geladeira num prato. Daí, toda vez que dava vontade, era só pegar lá em cima e tirar um pedaço grande e comer pura ou dentro do pão, enquanto lia na cama, sentindo o calor lá de fora que entrava pela janela aberta, folhas de madeira presas na parede externa com umas cabecinhas de gente de metal fundido. Muito interessantes.
O jardim tinha cheiro de alfavaca, uma espécie de manjericão selvagem, que a avó usava como tempero. E tinha pé de guando, e quando se fazia frango ao molho pardo, havia sempre uma panela grande de guando cozido para acompanhar. Melhor ainda do que feijão.
E pra ter o frango ao molho pardo, a avó matava um e deixava o sangue dele escorrer do pescoço para uma tigela. Depois escaldavam o bicho. Depois ainda tinha que tirar todas as penas raspando com uma faca, e às vezes a cozinha ficava com um pouco de cheiro de pena queimada, que é muito parecido com cheiro de cabelo queimado, e não é bom.
E às vezes também a pele do frango mesmo depois de cozida ficava com umas mini penas, o que também não era bom, mas o frango ao molho pardo era sempre bem-vindo. Era sempre dia de festa.
Em dias de festa, depois do almoço, todo mundo dormia um pouco. E quando acordavam, os homens iam jogar truco e as mulheres iam fazer bolo e café. E as crianças ficavam por lá inventando. E quando dava fome, o bom era triturar biscoito maisena e misturar com banana. Igual a farinha láctea com banana, muito gostoso.
À noite, depois do banho e do jantar, alguém contava histórias. Ou se ouvia música. Uma vez ou outra, TV.
Até que era hora de ir para a cama e deitar ouvindo o som dos grilos. E aí dormir, sonhar e depois acordar para começar tudo de novo de novo na manhã seguinte, de preferência com um belo de um banho de rio.
Tinha um cinema só e uma feira livre todo sábado, onde as pessoas podiam comprar frutas, legumes, e também pequenos presentes e utilidades domésticas.
Feijão, arroz e milho eram comprados a granel. Na mercearia havia várias gavetas grandes, de balanço, cheias de cereal, e você podia pegar a quantidade desejada usando uma colher grande de alça. Colocava o que quisesse num saco de papel e levava pra casa. E quando fosse cozinhar, tinha que catar o feijão, porque vinha junto feijão bom, feijão esquisito, pedrinhas e pedacinhos de pau. E o movimento das mãos da avó separando o feijão bom do que não era feijão bom era encantador.
O banho de rio era todo dia no verão. As pedras roladas no fundo eram boas de pisar e a água era muito fresquinha. E o som do rio, muito bonito. O céu da noite era preto, coalhado de estrelas, e passava satélite que a gente ficava acompanhando.
O entardecer era cheio de vagalumes. E o rio, de filhotes de sapo. Girinos pretinhos, bolinha e rabinho, que cresciam devagar pernas e braços e cabeça de sapo. E aí podiam morar fora d'água e sair pulando por aí.
E tinha flamboyant com suas raízes enormes e suas folhas vermelhas. E tinha muita goiaba e a avó fazia goiabada no tacho e depois de pronta colocava em cima da geladeira num prato. Daí, toda vez que dava vontade, era só pegar lá em cima e tirar um pedaço grande e comer pura ou dentro do pão, enquanto lia na cama, sentindo o calor lá de fora que entrava pela janela aberta, folhas de madeira presas na parede externa com umas cabecinhas de gente de metal fundido. Muito interessantes.
O jardim tinha cheiro de alfavaca, uma espécie de manjericão selvagem, que a avó usava como tempero. E tinha pé de guando, e quando se fazia frango ao molho pardo, havia sempre uma panela grande de guando cozido para acompanhar. Melhor ainda do que feijão.
E pra ter o frango ao molho pardo, a avó matava um e deixava o sangue dele escorrer do pescoço para uma tigela. Depois escaldavam o bicho. Depois ainda tinha que tirar todas as penas raspando com uma faca, e às vezes a cozinha ficava com um pouco de cheiro de pena queimada, que é muito parecido com cheiro de cabelo queimado, e não é bom.
E às vezes também a pele do frango mesmo depois de cozida ficava com umas mini penas, o que também não era bom, mas o frango ao molho pardo era sempre bem-vindo. Era sempre dia de festa.
Em dias de festa, depois do almoço, todo mundo dormia um pouco. E quando acordavam, os homens iam jogar truco e as mulheres iam fazer bolo e café. E as crianças ficavam por lá inventando. E quando dava fome, o bom era triturar biscoito maisena e misturar com banana. Igual a farinha láctea com banana, muito gostoso.
À noite, depois do banho e do jantar, alguém contava histórias. Ou se ouvia música. Uma vez ou outra, TV.
Até que era hora de ir para a cama e deitar ouvindo o som dos grilos. E aí dormir, sonhar e depois acordar para começar tudo de novo de novo na manhã seguinte, de preferência com um belo de um banho de rio.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Porque hoje eu vou é comer pizza.
Ai, papel em branco, que nem é papel, é luz.
Então, vamos lá.
Depois de pensar algum tempo, concluo que hoje eu estou totalmente sem assunto.
Não estou com vontade de escrever sobre nada.
Estou só querendo mesmo é comer a minha pizza que está no forno e ir pra cama cedo, pro ar-condicionado, porque está fazendo muito calor, e ver um filme bobo pra dormir, lá pelo meio do filme, se eu chegar até lá.
To cansada mesmo. Ou vai ver que a inspiração acabou.
Isso vamos ver amanhã. Porque hoje eu vou é comer pizza.
Então, vamos lá.
Depois de pensar algum tempo, concluo que hoje eu estou totalmente sem assunto.
Não estou com vontade de escrever sobre nada.
Estou só querendo mesmo é comer a minha pizza que está no forno e ir pra cama cedo, pro ar-condicionado, porque está fazendo muito calor, e ver um filme bobo pra dormir, lá pelo meio do filme, se eu chegar até lá.
To cansada mesmo. Ou vai ver que a inspiração acabou.
Isso vamos ver amanhã. Porque hoje eu vou é comer pizza.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Hoje foi um dia mágico.
Hoje a minha filha escolheu o vestido de noiva dela.
E o vestido escolheu ela também, deu para ver que o vestido ficou muito satisfeito. Ficou tão agradecido que se vestiu ainda mais de elegância e beleza pra enfeitar a moça também muito bela e elegante.
Hoje foi um dia mágico.
E o vestido escolheu ela também, deu para ver que o vestido ficou muito satisfeito. Ficou tão agradecido que se vestiu ainda mais de elegância e beleza pra enfeitar a moça também muito bela e elegante.
Hoje foi um dia mágico.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Acho que vou enfeitar meu Natal só com sorrisos.
A primeira árvore de Natal de que me lembro são duas: uma da casa da minha avó, outra da casa da minha mãe. A da casa da minha avó era um graveto que a gente pegou juntas no jardim e ela cobriu de algodão antes de espetar num vaso e pendurar umas bolinhas. Fiquei encantada com a neve de algodão dela. A da mamãe, era maior e mais linda, e tinha maravilhosas lâmpadas pisca-pisca de vidro colorido, assim que nem essas:
Eu ficava muito feliz quando a gente arrumava a árvore todo ano. E quando tive a minha própria casa e a minha própria árvore, fui deixando ela crescer de ano para ano, e agora eu tenho uma árvore até meio exagerada. Guardo tudo direitinho no final do Natal e todo ano arrumo de novo. Bem bonita.
Mas no ano passado me aconteceu uma coisa diferente. No meio do ano casei com o Mikael, finlandês. Moramos aqui no Brasil, mas fomos passar o Natal com a mãe dele, que mora lá. Pois bem. Meu primeiro Natal com neve. Meu primeiro Natal rodeada de pinheiros cobertos de neve de verdade e com gelo que pisca sozinho quando bate a luz do sol. Ou da lua. Vi até um monte de gelinhos voando soltos no ar, tudo brilhando e dançando no céu azul, coisa rara e linda mesmo de se ver.
Então mudei dentro de mim. E não sei se gosto mais da minha árvore de plástico. :(
Eu fico pensando nesse calor que faz aqui e que era melhor eu fazer enfeites com abacaxis. E aí estou vivendo este momento, pensando se sucumbo ao meu desejo de montar minha árvore querida até então, ou se abandono de vez essa ideia. Acho que este ano vou fazer diferente. Acho que vou enfeitar meu Natal só com sorrisos.
Eu ficava muito feliz quando a gente arrumava a árvore todo ano. E quando tive a minha própria casa e a minha própria árvore, fui deixando ela crescer de ano para ano, e agora eu tenho uma árvore até meio exagerada. Guardo tudo direitinho no final do Natal e todo ano arrumo de novo. Bem bonita.
Mas no ano passado me aconteceu uma coisa diferente. No meio do ano casei com o Mikael, finlandês. Moramos aqui no Brasil, mas fomos passar o Natal com a mãe dele, que mora lá. Pois bem. Meu primeiro Natal com neve. Meu primeiro Natal rodeada de pinheiros cobertos de neve de verdade e com gelo que pisca sozinho quando bate a luz do sol. Ou da lua. Vi até um monte de gelinhos voando soltos no ar, tudo brilhando e dançando no céu azul, coisa rara e linda mesmo de se ver.
Então mudei dentro de mim. E não sei se gosto mais da minha árvore de plástico. :(
Eu fico pensando nesse calor que faz aqui e que era melhor eu fazer enfeites com abacaxis. E aí estou vivendo este momento, pensando se sucumbo ao meu desejo de montar minha árvore querida até então, ou se abandono de vez essa ideia. Acho que este ano vou fazer diferente. Acho que vou enfeitar meu Natal só com sorrisos.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Se você quiser desenvolver conhecimento, tem jogo. :)
Por que eu colocaria o meu filho para frequentar Moleque de Ideias pelo menos durante 1 hora por semana em 2016.
Porque temos vagas. Como trabalhamos com turmas pequenas, de até 6 crianças no máximo, e muitas vezes quem entra fica durante anos - porque tanto a criança como a família gostam e dão valor - eu aproveitaria. Temos 60 vagas abertas para 2016.
Mas o que é que meus filhos podem fazer lá?
Eles podem usar computadores, sensores, robôs, podem desenhar, podem mandar o robô desenhar, podem criar um jogo, uma história, uma música, podem fazer um drone voar, podem ver minhocas trabalhando, podem ajudá-las, podem ver abelhas trabalhando e podem ver como se tira mel de abelha e como é que existe abelha sem ferrão... Podem muitas coisas. A lista de atividades é praticamente interminável, mas você pode ter uma boa ideia do que é possível fazer dando uma espiada no livro sobre os primeiros 19 anos da Moleque de Ideias, que completa 20 no próximo dia 09 de fevereiro: http://www.molequedeideias.net/pg/file/read/27586/moleque-de-idias-os-primeiros-19-anos
Mas com quantos anos pode entrar?
Pode entrar a partir dos 4 anos, quando a criança já tem mais concentração e pode falar por si. E já está mais sociável também, já começa a gostar de gente. :)
E até quando pode ficar?
Tem crianças que já estão com 16 anos e ainda frequentam a casa livremente para desenvolver projetos pessoais bem avançados. Ou seja, pode frequentar enquanto achar que faz sentido na vida da pessoa.
Moleque de Ideias é uma escola?
Não. Moleque de Ideias é uma empresa de conhecimento e tecnologia digital. É uma empresa com CNPJ que desenvolve softwares de missão crítica nas áreas de e-commerce, qualidade e certificação de pessoas. Tem grandes clientes satisfeitos com o que produz, tais como Nova (Ponto Frio, Casas Bahia, ...), FIRJAN, SENAI, Hilti, Lanlink, .... Nossos softwares são de excelente qualidade. E gostamos também de brincar de robô, de fazer boneco de massinha, de cozinhar, de plantar comida... E de prover para as crianças um espaço de criação livre, de bem estar e aprendizagem permanente.
Mas e aí quem fica com as crianças? Não é a professora?
Não. Quem fica com as crianças e dá suporte ao seu desenvolvimento são pessoas com formação em ciências da computação, engenharia de produção, cinema, economia, manutenção de computadores, fotografia, plantação... que falam Inglês, Português, Sueco, Finlandês, Francês... , que estudam bastante sobre desenvolvimento infantil, que gostam do que fazem, que procuram aprender diariamente, que gostam de crianças, que são criativas e carinhosas. E que investem na autonomização das crianças - o que significa que elas ajudam mesmo a criança a aprender e a se desenvolver e a ficar independente.
Mas tem prova? Como é que eu sei que meu filho não está lá só fazendo bobeira?
Não tem prova. Tem acompanhamento constante e portfolios dos trabalhos dos seus filhos e relatórios que ficam guardados junto com as lembranças de família (depoimento de vários pais de crianças que frequentam ou frequentaram Moleque de Ideias). Sobre isso tem um texto muito legal escrito por uma moça na época com 18 anos, que havia estudado com a gente dos 5 aos 10 anos de idade: http://www.molequedeideias.net/pg/blog/read/18341/a-moleque-de-ideias
Mas isso deve ser caríssimo!
Não. Cada 1 hora por semana, 9 meses por ano - março a dezembro - custa 12 x R$ 160,00. Se for uma hora e meia por semana, 12 x R$ 240,00. E essa uma hora, uma hora e meia, toda semana, vão fazer muita diferença na vida dos seus filhos. Pra sempre. E a contribuição em dinheiro, digamos, é a maneira mais simples de continuar viabilizando a manutenção do espaço. Mas podem conversar com a gente, porque o mais importante é fazermos amigos e existem várias formas de relacionamento possível. Por exemplo, se você quiser desenvolver conhecimento, tem jogo. :)
Para mais informações: http://www.molequedeideias.net/mod/moleque/paraCriancas.php
Porque temos vagas. Como trabalhamos com turmas pequenas, de até 6 crianças no máximo, e muitas vezes quem entra fica durante anos - porque tanto a criança como a família gostam e dão valor - eu aproveitaria. Temos 60 vagas abertas para 2016.
Mas o que é que meus filhos podem fazer lá?
Eles podem usar computadores, sensores, robôs, podem desenhar, podem mandar o robô desenhar, podem criar um jogo, uma história, uma música, podem fazer um drone voar, podem ver minhocas trabalhando, podem ajudá-las, podem ver abelhas trabalhando e podem ver como se tira mel de abelha e como é que existe abelha sem ferrão... Podem muitas coisas. A lista de atividades é praticamente interminável, mas você pode ter uma boa ideia do que é possível fazer dando uma espiada no livro sobre os primeiros 19 anos da Moleque de Ideias, que completa 20 no próximo dia 09 de fevereiro: http://www.molequedeideias.net/pg/file/read/27586/moleque-de-idias-os-primeiros-19-anos
Mas com quantos anos pode entrar?
Pode entrar a partir dos 4 anos, quando a criança já tem mais concentração e pode falar por si. E já está mais sociável também, já começa a gostar de gente. :)
E até quando pode ficar?
Tem crianças que já estão com 16 anos e ainda frequentam a casa livremente para desenvolver projetos pessoais bem avançados. Ou seja, pode frequentar enquanto achar que faz sentido na vida da pessoa.
Moleque de Ideias é uma escola?
Não. Moleque de Ideias é uma empresa de conhecimento e tecnologia digital. É uma empresa com CNPJ que desenvolve softwares de missão crítica nas áreas de e-commerce, qualidade e certificação de pessoas. Tem grandes clientes satisfeitos com o que produz, tais como Nova (Ponto Frio, Casas Bahia, ...), FIRJAN, SENAI, Hilti, Lanlink, .... Nossos softwares são de excelente qualidade. E gostamos também de brincar de robô, de fazer boneco de massinha, de cozinhar, de plantar comida... E de prover para as crianças um espaço de criação livre, de bem estar e aprendizagem permanente.
Mas e aí quem fica com as crianças? Não é a professora?
Não. Quem fica com as crianças e dá suporte ao seu desenvolvimento são pessoas com formação em ciências da computação, engenharia de produção, cinema, economia, manutenção de computadores, fotografia, plantação... que falam Inglês, Português, Sueco, Finlandês, Francês... , que estudam bastante sobre desenvolvimento infantil, que gostam do que fazem, que procuram aprender diariamente, que gostam de crianças, que são criativas e carinhosas. E que investem na autonomização das crianças - o que significa que elas ajudam mesmo a criança a aprender e a se desenvolver e a ficar independente.
Mas tem prova? Como é que eu sei que meu filho não está lá só fazendo bobeira?
Não tem prova. Tem acompanhamento constante e portfolios dos trabalhos dos seus filhos e relatórios que ficam guardados junto com as lembranças de família (depoimento de vários pais de crianças que frequentam ou frequentaram Moleque de Ideias). Sobre isso tem um texto muito legal escrito por uma moça na época com 18 anos, que havia estudado com a gente dos 5 aos 10 anos de idade: http://www.molequedeideias.net/pg/blog/read/18341/a-moleque-de-ideias
Mas isso deve ser caríssimo!
Não. Cada 1 hora por semana, 9 meses por ano - março a dezembro - custa 12 x R$ 160,00. Se for uma hora e meia por semana, 12 x R$ 240,00. E essa uma hora, uma hora e meia, toda semana, vão fazer muita diferença na vida dos seus filhos. Pra sempre. E a contribuição em dinheiro, digamos, é a maneira mais simples de continuar viabilizando a manutenção do espaço. Mas podem conversar com a gente, porque o mais importante é fazermos amigos e existem várias formas de relacionamento possível. Por exemplo, se você quiser desenvolver conhecimento, tem jogo. :)
Para mais informações: http://www.molequedeideias.net/mod/moleque/paraCriancas.php
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Enfim, salvaram-se todos. Menos o porco, que já tinha morrido antes.
Era uma vez um rato que tinha uns bigodes bem compridos.
- Hum, eu to sentindo um cheirinho de bacon... Todo dia de manhã esses humanos cozinham bacon e eu AMO, simplesmente, então eu acho que um dia vou tomar coragem e vou lá tentar pegar esse bacon.
E ele ficou pensando que o dia podia ser hoje, por que não hoje? E aí foi tentando chegar mais perto. Foi caminhando, assim: rapidinho, parado, rapidinho, parado... que é porque se ele vai direto tem mais chance de ser apanhado.
No terreno morava uma gata cinza, muito velha já, mas muito malandrinha. Parecia adolescente sempre. Dormia a maior parte do tempo e acordava na disposição. Fazia alongamento, pegava o sol da manhã e dava umas corridinhas de pega. Comia ração, o que dava mais chance ao rato. Mas sabe como é gato, gato caça.
O rato então continuou no esconde, esconde. Se ele caminha direto, dá chace à gata de calcular melhor a trajetória. Então ele foi devagar. Assim que pode pegou o caminho da horta e foi se disfarçando entre bertalhas, couves, quiabos, alecrim, cebolinhas e até um pé de morango. Tudo verde, ele cinza, mais escuro que o cinza da gata. Confundia-se melhor com o muro do que com as verduras, mas elas davam tumulto visual e sombra. Estava indo bem e quase chegando na porta da cozinha da casa.
A gata só viu um treco que não era planta - porque planta é parada - habitando a horta. Novidade. Novidade era com ela. Qualquer novidade era com ela. Gaveta aberta recentemente, armário, todo tipo de caixa, edredom, qualquer porta aberta, ela entrava pra conhecer. Coisas se mexendo também a deixavam bem curiosa.
Foi caminhando pela lateral, devagar, imperceptível no seu passo macio de gata.
Quando o rato chegou na porta da cozinha ela pulou na frente dele, olhos fixos no cara dele, e disse: Miau.
O rato pensou no bacon, na vida, e concluiu - "Bacon não é bom pro meu colesterol." Deu meia volta e só sentiu a pata da gata pisando na ponta do rabo dele. Apavorou-se, mas deu um grito bem alto e a gata levantou a pata no susto. Daí ele descobriu que se continuasse gritando, conseguia correr. E foi aquele alvoroço no quintal. Rato, gato, tudo gritando e correndo. Mas rato não é rato à toa. E esse conseguiu arrumar um buraquinho, se transformar em manteiga e escorregar pra dentro, deixando a gata só mais treinada. Prá próxima.
O povo da casa correu pra ver o que estava acontecendo e se esqueceu do bacon, que virou um carvãozinho na frigideira.
Enfim, salvaram-se todos. Menos o porco, que já tinha morrido antes.
- Hum, eu to sentindo um cheirinho de bacon... Todo dia de manhã esses humanos cozinham bacon e eu AMO, simplesmente, então eu acho que um dia vou tomar coragem e vou lá tentar pegar esse bacon.
E ele ficou pensando que o dia podia ser hoje, por que não hoje? E aí foi tentando chegar mais perto. Foi caminhando, assim: rapidinho, parado, rapidinho, parado... que é porque se ele vai direto tem mais chance de ser apanhado.
No terreno morava uma gata cinza, muito velha já, mas muito malandrinha. Parecia adolescente sempre. Dormia a maior parte do tempo e acordava na disposição. Fazia alongamento, pegava o sol da manhã e dava umas corridinhas de pega. Comia ração, o que dava mais chance ao rato. Mas sabe como é gato, gato caça.
O rato então continuou no esconde, esconde. Se ele caminha direto, dá chace à gata de calcular melhor a trajetória. Então ele foi devagar. Assim que pode pegou o caminho da horta e foi se disfarçando entre bertalhas, couves, quiabos, alecrim, cebolinhas e até um pé de morango. Tudo verde, ele cinza, mais escuro que o cinza da gata. Confundia-se melhor com o muro do que com as verduras, mas elas davam tumulto visual e sombra. Estava indo bem e quase chegando na porta da cozinha da casa.
A gata só viu um treco que não era planta - porque planta é parada - habitando a horta. Novidade. Novidade era com ela. Qualquer novidade era com ela. Gaveta aberta recentemente, armário, todo tipo de caixa, edredom, qualquer porta aberta, ela entrava pra conhecer. Coisas se mexendo também a deixavam bem curiosa.
Foi caminhando pela lateral, devagar, imperceptível no seu passo macio de gata.
Quando o rato chegou na porta da cozinha ela pulou na frente dele, olhos fixos no cara dele, e disse: Miau.
O rato pensou no bacon, na vida, e concluiu - "Bacon não é bom pro meu colesterol." Deu meia volta e só sentiu a pata da gata pisando na ponta do rabo dele. Apavorou-se, mas deu um grito bem alto e a gata levantou a pata no susto. Daí ele descobriu que se continuasse gritando, conseguia correr. E foi aquele alvoroço no quintal. Rato, gato, tudo gritando e correndo. Mas rato não é rato à toa. E esse conseguiu arrumar um buraquinho, se transformar em manteiga e escorregar pra dentro, deixando a gata só mais treinada. Prá próxima.
O povo da casa correu pra ver o que estava acontecendo e se esqueceu do bacon, que virou um carvãozinho na frigideira.
Enfim, salvaram-se todos. Menos o porco, que já tinha morrido antes.
domingo, 6 de dezembro de 2015
Thomas Mann vai me perdoar, eu acho.
PÂNICO, SETA, ACONTECIMENTO - FINAL
Eu pensei que o momento de pânico nessa história fosse ter relação com o barco e o navio. Ia criar uma confusão lá. Mas aconteceu que hoje, quando pensei na história, me veio uma ideia diferente: o pânico quem sente é ele, quando vê a moça no navio e pensa em amar. E ele tem medo, e acaba indo embora sozinho esquentar o coração no bar.
Mas eu vou escrever isso outro dia, porque hoje eu estou com muita preguiça e sem concentração.
Thomas Mann vai me perdoar, eu acho.
Eu pensei que o momento de pânico nessa história fosse ter relação com o barco e o navio. Ia criar uma confusão lá. Mas aconteceu que hoje, quando pensei na história, me veio uma ideia diferente: o pânico quem sente é ele, quando vê a moça no navio e pensa em amar. E ele tem medo, e acaba indo embora sozinho esquentar o coração no bar.
Mas eu vou escrever isso outro dia, porque hoje eu estou com muita preguiça e sem concentração.
Thomas Mann vai me perdoar, eu acho.
sábado, 5 de dezembro de 2015
PÂNICO, SETA, ACONTECIMENTO. (continuação 1)
...
A SETA
Todo mundo no navio estava em festa, menos ela. Trancada no quarto pequeno, sem janelas, abaixo da linha do mar, se sentia angustiada, mas ainda preferia a angústia a fingir que estava alegre, quando não estava. Tinha tentado ficar do lado de fora, no convés, mas estava tudo muito molhado e gelado. E nos salões de dentro, quentes e coloridos, músicas, vozes, movimento, tudo fazia com que ela se sentisse cada vez mais só. O namoro tinha terminado abruptamente, no cais. A viagem planejada a dois por tanto tempo, havia se transformado em tempo para pensar. Não queria chorar mais, não gostava de cultivar tristeza, e resolveu tentar dormir. Mas o sono não vinha. Depois de um tempo, colocou os casacos novamente e resolveu subir pro frio lá fora.
Ele viu o navio entrar no canal. Todo iluminado, como todos os que vinham até aqui nesta época do ano. Branco, muitos andares, ficando cada vez maior à medida em que se aproximava, seguindo a seta de espuma criada enquanto rasgava o mar. Ele ficou imaginando se ali, no meio de tanta gente e de tanta festa, haveria alguém que estivesse assim como ele, querendo silêncio. Distraiu-se com o próprio pensamento, imaginando pessoas, quando ouviu um som alto de alerta e viu que um pequeno barco havia se soltado das cordas e que estava lá, flutuando para o meio do canal, perto demais para que o navio parasse a tempo.
...
to be continued.
A SETA
Todo mundo no navio estava em festa, menos ela. Trancada no quarto pequeno, sem janelas, abaixo da linha do mar, se sentia angustiada, mas ainda preferia a angústia a fingir que estava alegre, quando não estava. Tinha tentado ficar do lado de fora, no convés, mas estava tudo muito molhado e gelado. E nos salões de dentro, quentes e coloridos, músicas, vozes, movimento, tudo fazia com que ela se sentisse cada vez mais só. O namoro tinha terminado abruptamente, no cais. A viagem planejada a dois por tanto tempo, havia se transformado em tempo para pensar. Não queria chorar mais, não gostava de cultivar tristeza, e resolveu tentar dormir. Mas o sono não vinha. Depois de um tempo, colocou os casacos novamente e resolveu subir pro frio lá fora.
Ele viu o navio entrar no canal. Todo iluminado, como todos os que vinham até aqui nesta época do ano. Branco, muitos andares, ficando cada vez maior à medida em que se aproximava, seguindo a seta de espuma criada enquanto rasgava o mar. Ele ficou imaginando se ali, no meio de tanta gente e de tanta festa, haveria alguém que estivesse assim como ele, querendo silêncio. Distraiu-se com o próprio pensamento, imaginando pessoas, quando ouviu um som alto de alerta e viu que um pequeno barco havia se soltado das cordas e que estava lá, flutuando para o meio do canal, perto demais para que o navio parasse a tempo.
...
to be continued.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
PÂNICO, SETA, ACONTECIMENTO.
Pois bem, não tenho a menor ideia de assunto para hoje. Vamos ver então o que acontece. Eu posso ficar aqui falando sobre isso, ou eu posso simplesmente jogar aqui as três primeiras palavras que me atravessarem a mente.
AMOR CANALHA SERVIDÃO
Gente, o que é isso? Vamos tentar as próximas palavras que me cruzarem a mente.
PÂNICO SETA ACONTECIMENTO
Bom, vamos dizer que melhorou.
...
Você viajou muito pra estar ali naquele lugar agora. Tão diferente de casa... Em casa é muito quente, é muita luz, todo mundo fala alto, as cores gritam. O sol sobe no meio do céu e no verão parece que você está bem bem perto de uma fogueira enorme, sente aquela vibração do fogo chegando, e pensa: se o sol dá uma daquelas explosões dele mais compridinha, a gente torra. Todo mundo ao mesmo tempo. Mas isso é em casa. Aqui é outra onda. Aqui é tudo calmo. Oito meses vindo aqui toda hora e NUNCA, NUNCA ouvi alguém falar alto. O sol sobe só até a metade da metade do céu. Fica assim sempre recém-nascido, iniciante, tranquilo. Depois desce de novo, tão devagar quanto subiu, tudo leva horas compridas. Aqui o frio é que é o problemático. Exagera. Você tira uma luva por qualquer razão e de repente você se agita pra colocar a luva correndo porque se dá conta de que sua mão tá congelando e fica apavorado dela cair. Então você põe a luva rápido. A noite começa no meio da tarde, tipo às três horas. É assim na maior parte do tempo: cinza escuro, calmo e muito frio.
O ACONTECIMENTO
Saiu do trabalho para a rua e gostou da cara do tempo. A chuva fina combinava bem com as nuvens baixas e a tarde escurecendo. Uma pessoa ou outra longe, uma ou outra às vezes perto, mas ninguém chegou a perturbar seu desejo de ficar sozinho. Mais tarde talvez fosse até o bar, ver gente, uma coisa boa e natural pra quem está com 30 anos. Mas agora queria contemplação. Foi andando na direção do canal, cabeça abaixada pra cortar o frio que vinha do mar. Ventava o cheiro e o gelo do mar. Foi cortando caminho e logo chegou na amurada perto dos ancoradouros. Pronto. Ali era onde ele queria estar. Respirou fundo. Soltou o ar, respirou de novo, algumas vezes. Observou. Pouco movimento na água. Aves buscando peixe, uma ou outra pousada assim que nem ele... sossego.
A SETA
to be continued ...
AMOR CANALHA SERVIDÃO
Gente, o que é isso? Vamos tentar as próximas palavras que me cruzarem a mente.
PÂNICO SETA ACONTECIMENTO
Bom, vamos dizer que melhorou.
...
Você viajou muito pra estar ali naquele lugar agora. Tão diferente de casa... Em casa é muito quente, é muita luz, todo mundo fala alto, as cores gritam. O sol sobe no meio do céu e no verão parece que você está bem bem perto de uma fogueira enorme, sente aquela vibração do fogo chegando, e pensa: se o sol dá uma daquelas explosões dele mais compridinha, a gente torra. Todo mundo ao mesmo tempo. Mas isso é em casa. Aqui é outra onda. Aqui é tudo calmo. Oito meses vindo aqui toda hora e NUNCA, NUNCA ouvi alguém falar alto. O sol sobe só até a metade da metade do céu. Fica assim sempre recém-nascido, iniciante, tranquilo. Depois desce de novo, tão devagar quanto subiu, tudo leva horas compridas. Aqui o frio é que é o problemático. Exagera. Você tira uma luva por qualquer razão e de repente você se agita pra colocar a luva correndo porque se dá conta de que sua mão tá congelando e fica apavorado dela cair. Então você põe a luva rápido. A noite começa no meio da tarde, tipo às três horas. É assim na maior parte do tempo: cinza escuro, calmo e muito frio.
O ACONTECIMENTO
Saiu do trabalho para a rua e gostou da cara do tempo. A chuva fina combinava bem com as nuvens baixas e a tarde escurecendo. Uma pessoa ou outra longe, uma ou outra às vezes perto, mas ninguém chegou a perturbar seu desejo de ficar sozinho. Mais tarde talvez fosse até o bar, ver gente, uma coisa boa e natural pra quem está com 30 anos. Mas agora queria contemplação. Foi andando na direção do canal, cabeça abaixada pra cortar o frio que vinha do mar. Ventava o cheiro e o gelo do mar. Foi cortando caminho e logo chegou na amurada perto dos ancoradouros. Pronto. Ali era onde ele queria estar. Respirou fundo. Soltou o ar, respirou de novo, algumas vezes. Observou. Pouco movimento na água. Aves buscando peixe, uma ou outra pousada assim que nem ele... sossego.
A SETA
to be continued ...
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Eu fico tranquila. Essa bruxa era boa.
Durante muitos anos eu tive turmas grandes com crianças de 5, 6 anos de idade, que adoravam ouvir uma história que eu inventei para elas. Gostavam tanto que toda semana me pediam para contar de novo. E até mais de uma vez no mesmo dia: eu contava, elas no final, pediam, "De novo!" Acabou virando peça de teatro, comigo e alguns deles atuando (por desejo próprio), enquanto os que não queriam atuar, mas queriam vibrar na plateia, ficavam assistindo. Um sucesso. A coisa toda era baseada no fato de que meu cabelo é cheio e comprido.
... era uma vez uma bruxa que vivia numa floresta. Ela gostava de sair para passear e catar coisas por lá pra fazer a sua janta. Um dia aconteceu uma coisa diferente. Ela estava andando há algum tempo e a sua bolsa estava já cheia de pequenos trecos: umas folhas de urtiga, dois cogumelo esquisitos, um monte de sementes, raízes, frutas... coisas que a gente encontra com facilidade numa floresta. Tinha até um besouro seco. Ela vinha caminhando, pensando em voltar pra casa, quando viu lá em cima de uma pedra, uma planta com um fiapo bem comprido que na ponta tinha uma coisa que parecia ser uma peninha de pássaro. Bem pequenininha. Bom, a bruxa quis conhecer a novidade e subiu na pedra. Depois de um certo esforço, chegou lá em cima e viu que era uma peninha mesmo. Azul. Guardou na bolsa e resolveu ir pra casa.
No caminho, ela pensou: - "Eu vou fazer um caldo e vou colocar essa coisa, pra ver que gosto tem". E aí ela chegou em casa e foi colocar logo fogo no caldeirão. Ela gostava bastante de cozinhar no caldeirão. Dava aquele calor e tinha as borbulhas e uma fumacinha, que alegrava muito a bruxa. Então começou a cozinhar: colocou água de chuva, cascas de árvores, gosma de sapo, uns matos... um pedacinho de abóbora, umas batatas doces... e pôs a peninha no final. Na mesma hora o caldo fez PUFT! Bem alto! Deu uns tremeliques... e depois se acalmou.
A bruxa levou um susto, mas sossegou junto com o caldo e resolveu tomá-lo assim mesmo. Pegou uma concha, tirou um pouco, colocou numa xícara grande e aí deu um golinho de nada, porque queria mesmo experimentar. E aí, sabem o que aconteceu?
...
Nesse momento eu me virava e fazia uns barulhos e agitava o meu cabelo sem ninguém ver. E aí de repente me virava com o cabelo todo doido e fazia "Bu!"
Pronto. As crianças, mesmo as que já conheciam a história de trás pra diante, davam um grito e caíam na risada... "De novo!"
Pois bem. Essa é a história da história da bruxa da Leila. Até hoje, quando encontro com algumas das crianças, elas se lembram e sorriem. Eu fico tranquila. Essa bruxa era boa.
... era uma vez uma bruxa que vivia numa floresta. Ela gostava de sair para passear e catar coisas por lá pra fazer a sua janta. Um dia aconteceu uma coisa diferente. Ela estava andando há algum tempo e a sua bolsa estava já cheia de pequenos trecos: umas folhas de urtiga, dois cogumelo esquisitos, um monte de sementes, raízes, frutas... coisas que a gente encontra com facilidade numa floresta. Tinha até um besouro seco. Ela vinha caminhando, pensando em voltar pra casa, quando viu lá em cima de uma pedra, uma planta com um fiapo bem comprido que na ponta tinha uma coisa que parecia ser uma peninha de pássaro. Bem pequenininha. Bom, a bruxa quis conhecer a novidade e subiu na pedra. Depois de um certo esforço, chegou lá em cima e viu que era uma peninha mesmo. Azul. Guardou na bolsa e resolveu ir pra casa.
No caminho, ela pensou: - "Eu vou fazer um caldo e vou colocar essa coisa, pra ver que gosto tem". E aí ela chegou em casa e foi colocar logo fogo no caldeirão. Ela gostava bastante de cozinhar no caldeirão. Dava aquele calor e tinha as borbulhas e uma fumacinha, que alegrava muito a bruxa. Então começou a cozinhar: colocou água de chuva, cascas de árvores, gosma de sapo, uns matos... um pedacinho de abóbora, umas batatas doces... e pôs a peninha no final. Na mesma hora o caldo fez PUFT! Bem alto! Deu uns tremeliques... e depois se acalmou.
A bruxa levou um susto, mas sossegou junto com o caldo e resolveu tomá-lo assim mesmo. Pegou uma concha, tirou um pouco, colocou numa xícara grande e aí deu um golinho de nada, porque queria mesmo experimentar. E aí, sabem o que aconteceu?
...
Nesse momento eu me virava e fazia uns barulhos e agitava o meu cabelo sem ninguém ver. E aí de repente me virava com o cabelo todo doido e fazia "Bu!"
Pronto. As crianças, mesmo as que já conheciam a história de trás pra diante, davam um grito e caíam na risada... "De novo!"
Pois bem. Essa é a história da história da bruxa da Leila. Até hoje, quando encontro com algumas das crianças, elas se lembram e sorriem. Eu fico tranquila. Essa bruxa era boa.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Na minha opinião, ele acertou em cheio.
Quando a gente trabalha com crianças fazendo o que gostam, rapidamente aprende que a maioria absoluta faz alguma coisa muito bem feita. O ser humano é talentoso, original também, e manifesta com facilidade o que a gente pode chamar de personalidade.
As imagens a seguir foram feitas em 2006 por um menino de 8 anos. Matheus, o nome dele. Calmo e quieto. Durante um período, usou o mesmo (excelente) programa com que outras centenas de crianças desenharam na Moleque de Ideias nestes últimos 20 anos. Ao invés de usar carimbos para ilustrar cenas - atividade mais comum - ele desenhou à mão livre. E eu achei a produção dele muito boa.
Os nomes que deu aos seus desenhos, revelam um pouco mais sobre o que ia na cabeça dele. Da esquerda para a direita, na linha superior: "Areia Maluca", "Cores diferentes" e "Terra Maluca".
Na segunda linha: "Cores coloridas", "Chuva colorida" e "Guerra".
Gosto muito de todos, mas hoje me chamou especial atenção a representação que ele fez da "Guerra". É o único desenho com divisões. Quatro mundos diferentes com fronteiras bem definidas. E uma confusão ali no centro. Na minha opinião, ele acertou em cheio.
(Conversei com a mãe dele sobre o que eu achava ser um talento especial do menino. E sugeri que aproveitassem a exposição do Miró, que estava acontecendo no MAC na época. Eles foram. Ela me contou que depois que viu todos os quadros, Matheus falou: "Gostei. Ele pinta igual a mim.")
As imagens a seguir foram feitas em 2006 por um menino de 8 anos. Matheus, o nome dele. Calmo e quieto. Durante um período, usou o mesmo (excelente) programa com que outras centenas de crianças desenharam na Moleque de Ideias nestes últimos 20 anos. Ao invés de usar carimbos para ilustrar cenas - atividade mais comum - ele desenhou à mão livre. E eu achei a produção dele muito boa.
Os nomes que deu aos seus desenhos, revelam um pouco mais sobre o que ia na cabeça dele. Da esquerda para a direita, na linha superior: "Areia Maluca", "Cores diferentes" e "Terra Maluca".
Na segunda linha: "Cores coloridas", "Chuva colorida" e "Guerra".
Gosto muito de todos, mas hoje me chamou especial atenção a representação que ele fez da "Guerra". É o único desenho com divisões. Quatro mundos diferentes com fronteiras bem definidas. E uma confusão ali no centro. Na minha opinião, ele acertou em cheio.
(Conversei com a mãe dele sobre o que eu achava ser um talento especial do menino. E sugeri que aproveitassem a exposição do Miró, que estava acontecendo no MAC na época. Eles foram. Ela me contou que depois que viu todos os quadros, Matheus falou: "Gostei. Ele pinta igual a mim.")
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Os dois perderam.
Entendo assim: para que a guerra aconteça É NECESSÁRIA A EXISTÊNCIA DE UM INIMIGO.
Ou seja, EU NÃO QUERO CONSTRUIR INIMIGOS, porque, embora não tenha pavio, me vejo em essência como uma pessoa que acredita na paz. "UMA PESSOA DA PAZ" deve evitar acima de tudo CRIAR O INIMIGO. Porque se assim não for, a pessoa estará CRIANDO EXATAMENTE AQUILO QUE QUER EVITAR. Não é uma boa.
Vou explicar mais um pouco. Uma coisa é a gente ficar revoltada com uma coisa que aconteça. Uma amiga minha, por exemplo, acabou de ficar revoltada porque tem gente congelando borboleta pra cerimônia de casamento. Eu também acho revoltante e citei o exemplo só para a gente ver como tem muita coisa diferente revoltante acontecendo. Há o caso Mariana, roubalheira dos nossos representantes, assassinato de jovens, assassinato pra tudo quanto é lado, todo mundo que está assassinando achando que está agindo em nome do que acha certo. As moças cruéis que congelam borboletas só parecem melhores do que pessoas que matam gente, porque a gente não é borboleta. O problema não é a gente se revoltar. O problema é como a gente lida com isso.
Hoje eu fiquei revoltada também. Revoltadíssima. Não porque pessoas diferentes pensam obviamente coisas diferentes. Mas porque quiseram me enfiar de qualquer jeito numa caixinha com o rótulo: INIMIGO.
E a maior revolta não é nem por isso, mas porque, pra fazer isso, a pessoa tem que ter criado a caixinha antes. Criou inimigo, pra mim, não está num bom caminho.
Eu penso que a gente tem que ter o cuidado de não ver o mundo em branco e preto, sem tons de cinza, mais ou menos como os bebês: é a mamãe ou não é a mamãe. Quando a gente, para cada situação complexa que aparece, esquece da complexidade e começa a dividir tudo em duas caixinhas, aí a gente começa a querer enfiar tudo e todos só nessas duas. E aí a gente às vezes tem que delirar pra fazer isso. O delírio do sangue na boca.
Enfim, pra concluir, eu me lembrei de uma historinha de um garoto que tinha 5 anos e estava brincando com dois dinossauros perto de mim. Os dinossauros estavam lutando. Lutaram, lutaram, lutaram. No final, tudo tranquilo, eu perguntei: - Quem ganhou? Ele respondeu: - Os dois perderam.
Ou seja, EU NÃO QUERO CONSTRUIR INIMIGOS, porque, embora não tenha pavio, me vejo em essência como uma pessoa que acredita na paz. "UMA PESSOA DA PAZ" deve evitar acima de tudo CRIAR O INIMIGO. Porque se assim não for, a pessoa estará CRIANDO EXATAMENTE AQUILO QUE QUER EVITAR. Não é uma boa.
Vou explicar mais um pouco. Uma coisa é a gente ficar revoltada com uma coisa que aconteça. Uma amiga minha, por exemplo, acabou de ficar revoltada porque tem gente congelando borboleta pra cerimônia de casamento. Eu também acho revoltante e citei o exemplo só para a gente ver como tem muita coisa diferente revoltante acontecendo. Há o caso Mariana, roubalheira dos nossos representantes, assassinato de jovens, assassinato pra tudo quanto é lado, todo mundo que está assassinando achando que está agindo em nome do que acha certo. As moças cruéis que congelam borboletas só parecem melhores do que pessoas que matam gente, porque a gente não é borboleta. O problema não é a gente se revoltar. O problema é como a gente lida com isso.
Hoje eu fiquei revoltada também. Revoltadíssima. Não porque pessoas diferentes pensam obviamente coisas diferentes. Mas porque quiseram me enfiar de qualquer jeito numa caixinha com o rótulo: INIMIGO.
E a maior revolta não é nem por isso, mas porque, pra fazer isso, a pessoa tem que ter criado a caixinha antes. Criou inimigo, pra mim, não está num bom caminho.
Eu penso que a gente tem que ter o cuidado de não ver o mundo em branco e preto, sem tons de cinza, mais ou menos como os bebês: é a mamãe ou não é a mamãe. Quando a gente, para cada situação complexa que aparece, esquece da complexidade e começa a dividir tudo em duas caixinhas, aí a gente começa a querer enfiar tudo e todos só nessas duas. E aí a gente às vezes tem que delirar pra fazer isso. O delírio do sangue na boca.
Enfim, pra concluir, eu me lembrei de uma historinha de um garoto que tinha 5 anos e estava brincando com dois dinossauros perto de mim. Os dinossauros estavam lutando. Lutaram, lutaram, lutaram. No final, tudo tranquilo, eu perguntei: - Quem ganhou? Ele respondeu: - Os dois perderam.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Acho que é isso por hoje: quem sou eu.
Eu sou uma mistura de coisas - muitas repetições e algumas novidades. Muitas vezes eu me acompanho, mas na maior parte do tempo as coisas estão só acontecendo. Tipo um fogo: brilha, sacode, muda de lugar, tá aqui, tá ali... - e uma hora apaga todo. Sossega. Ou espalha. Ou espalha e depois sossega, mas vai mudando tanto de lugar que no final você não sabe mais quem era quem.
-------------
E era assim que eles estavam de novo. Sentados na varanda, que nem todo final de tarde nos últimos 30 anos. Mas só há 1 ano e meio na mesma varanda, olhando o mesmo jardim verde, bonito, e hoje, molhado de chuva. Se encontraram por causa desse gosto pela contemplação, pelo papo furado, risadas tranquilas, cerveja e cigarro. E música. E beijo. Os dois gostam muito de beijo. E fiquem vocês sabendo que as varandas anteriores eram muito, mas muito longe mesmo uma da outra. Tiveram que atravessar oceanos e mares pra se encontrarem. Ela teve que fazer baldeação em 15 cidades diferentes antes de encontrar com ele. Ele teve que ficar indo muitas vezes sempre para o mesmo lugar. Até que um dia se acharam. Ela sabendo já, de tanto tempo que andava sozinha, que o que ela queria mesmo era um amor; ele querendo uma vida mais legal. Os dois acharam um ao outro e agora estão achando a si. Juntos - que como eu escrevi no outro dia, monstro de muita cabeça a gente só domina:
1) se encarar;
2) se tiver ajuda.
E às vezes quando a gente encontra muito consigo mesmo, de vez em quando aparece um desses.
Os dois não tem só um segredo cada um, que não serão revelados pra todo mundo um dia. Os dois tem segredos que nem eles conhecem, porque vêm de longe, vêm de muitos foguinhos, fogos e fogaréus que passaram antes e que ainda estão por aí, brilhando.
Acho que é isso por hoje: quem sou eu.
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E era assim que eles estavam de novo. Sentados na varanda, que nem todo final de tarde nos últimos 30 anos. Mas só há 1 ano e meio na mesma varanda, olhando o mesmo jardim verde, bonito, e hoje, molhado de chuva. Se encontraram por causa desse gosto pela contemplação, pelo papo furado, risadas tranquilas, cerveja e cigarro. E música. E beijo. Os dois gostam muito de beijo. E fiquem vocês sabendo que as varandas anteriores eram muito, mas muito longe mesmo uma da outra. Tiveram que atravessar oceanos e mares pra se encontrarem. Ela teve que fazer baldeação em 15 cidades diferentes antes de encontrar com ele. Ele teve que ficar indo muitas vezes sempre para o mesmo lugar. Até que um dia se acharam. Ela sabendo já, de tanto tempo que andava sozinha, que o que ela queria mesmo era um amor; ele querendo uma vida mais legal. Os dois acharam um ao outro e agora estão achando a si. Juntos - que como eu escrevi no outro dia, monstro de muita cabeça a gente só domina:
1) se encarar;
2) se tiver ajuda.
E às vezes quando a gente encontra muito consigo mesmo, de vez em quando aparece um desses.
Os dois não tem só um segredo cada um, que não serão revelados pra todo mundo um dia. Os dois tem segredos que nem eles conhecem, porque vêm de longe, vêm de muitos foguinhos, fogos e fogaréus que passaram antes e que ainda estão por aí, brilhando.
Acho que é isso por hoje: quem sou eu.
domingo, 29 de novembro de 2015
E alma lavada. Nova de novo.
Um domingo bonito e um banho de mar daqueles fáceis, em que o mar está sendo gentil e divertido, o sol está brilhando mas não está assando e as pessoas em volta estão tranquilas.
Hoje contei pro Mikael que aqui no Brasil, por herança africana, creio eu, tem o que a gente chama de "banho de descarrego": água, sal, ervas, misturadas e jogadas no corpo depois do banho de chuveiro pra fazer a gente se sentir melhor.
Pois eu acho que não tem banho de descarrego melhor que o oceano inteiro.
A gente entra nervoso às vezes, porque a vida deixa a gente nervoso, às vezes. E aí vai nadando, vai mergulhando, vai brincando e espera. Toda tensão do corpo escorrega pro mar. Depois é só gosto de sal na boca, frescor na pele e brilho no olhar.
E alma lavada. Nova de novo.
sábado, 28 de novembro de 2015
Enfim, é isso. Minhas reflexões sobre o drama.
Uns dias atrás eu escrevi que não sabia nem o que era uma cena dramática, como é que eu iria inventar uma? Hoje eu acho que sei sim, o que é drama: "múltiplos significados, imita a ação direta dos indivíduos, em que haja conflito ou atrito."
Drama é chato. Eu quando era pequena adorava participar das encenações teatrais do colégio. E teve uma vez que eu não consegui o papel principal porque eu tinha que dizer, sofrendo e implorando - "Oh, Sol, tu que és tão forte, derretes a neve e desprende o meu pezinho?" E eu caía no riso com a situação, não conseguia sofrer como a formiguinha. Perdi o papel e fui ser a primavera na peça, de vestido de flor e eu entrava dançando.
Drama é cansativo. Eu não sei se porque sou preguiçosa ou esperta, não gosto de investir tempo em raiva ou mágoa. Saio perdoando tudo com a desculpa de que somos todos humanos e me livro logo do peso. Mas às vezes demora um pouco a passar. Dormir normalmente ajuda. Movimento também. Uma vez cheguei tããããoooo chateada em casa que cheguei a me atirar na cama para chorar. Depois foi todo mundo nadar e eu fui junto, ainda carregando uma cruz pesadíssima. Aí comecei a nadar e depois de 400 metros eu já estava toda alegre. Movimento ajuda mesmo.
Drama é Hidra de Lerna. Sete ou nove cabeças te atacando, você corta uma, nascem duas. Hércules só conseguiu vencer a Hidra com ajuda: ele cortava uma cabeça, o sobrinho Iolau cauterizava o corte usando um tição. Para ultrapassar dramas, amizade é fundamental. Ou de alguém pela gente ou da gente por alguém ou da gente pela gente mesmo. Que tem muito drama que a gente faz sozinho.
Enfim, é isso. Minhas reflexões sobre o drama.
Drama é chato. Eu quando era pequena adorava participar das encenações teatrais do colégio. E teve uma vez que eu não consegui o papel principal porque eu tinha que dizer, sofrendo e implorando - "Oh, Sol, tu que és tão forte, derretes a neve e desprende o meu pezinho?" E eu caía no riso com a situação, não conseguia sofrer como a formiguinha. Perdi o papel e fui ser a primavera na peça, de vestido de flor e eu entrava dançando.
Drama é cansativo. Eu não sei se porque sou preguiçosa ou esperta, não gosto de investir tempo em raiva ou mágoa. Saio perdoando tudo com a desculpa de que somos todos humanos e me livro logo do peso. Mas às vezes demora um pouco a passar. Dormir normalmente ajuda. Movimento também. Uma vez cheguei tããããoooo chateada em casa que cheguei a me atirar na cama para chorar. Depois foi todo mundo nadar e eu fui junto, ainda carregando uma cruz pesadíssima. Aí comecei a nadar e depois de 400 metros eu já estava toda alegre. Movimento ajuda mesmo.
Drama é Hidra de Lerna. Sete ou nove cabeças te atacando, você corta uma, nascem duas. Hércules só conseguiu vencer a Hidra com ajuda: ele cortava uma cabeça, o sobrinho Iolau cauterizava o corte usando um tição. Para ultrapassar dramas, amizade é fundamental. Ou de alguém pela gente ou da gente por alguém ou da gente pela gente mesmo. Que tem muito drama que a gente faz sozinho.
Enfim, é isso. Minhas reflexões sobre o drama.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
É isso também que a gente precisa num ambiente que sustente a criatividade: carinho.
Hoje penduramos uns origamis feitos pela Joca e pelo Vitor Nunes há muito tempo atrás. Eu tinha visto o avião vermelho que Vitor Tostes e Anderson tinham pendurado lá pra voar em círculos e achado muito bonito. Penduramos os origamis na goiabeira do jardim da frente. Ficou bonito também. Mas não tão bonito quanto o avião vermelho. Anderson pendurou uns pesinhos bem legais de pedra e franja nos origamis, coisa que ele aprendeu também com a Joca. Juliana ajudou o Anderson a fazer esse acabamento e a passar um fio pra gente pendurar nas árvores. Tenho foto deles trabalhando juntos, inventando solução.
Eu gosto muito de ver computador misturado com tesoura, papel, outras ferramentas... Mentes criativas gostam muito de variedade. E toda mente é criativa, é uma questão de ambiente e oportunidade, na maioria das vezes. E de liberdade, principalmente.
Eu gosto muito de ver computador misturado com tesoura, papel, outras ferramentas... Mentes criativas gostam muito de variedade. E toda mente é criativa, é uma questão de ambiente e oportunidade, na maioria das vezes. E de liberdade, principalmente.
O legal de pendurar trabalhos lá fora é que as pessoas todas podem ver o que é possível realizar. O Nilton sempre - e meu pai e minha mãe, antes - valorizaram muito a exposição e a circulação de ideias. Eu executo e aprecio. E reconheço o valor.
E hoje eu li um trecho do livro sobre os primeiros dezenove anos da Moleque, o que o Michael escreveu em Inglês e a Juliana Shimada traduziu para Português (já, já vou estar circulando ele), que me fez ver outra coisa muito importante para sustentar um ambiente criativo. Dizia assim:
"No começo do ano o nosso composto estava desequilibrado - com mais substâncias gerando nitrogênio (vegetais, café...), do que carbono (grama e folhas secas) e muito fluido estava sendo gerado (água e amônia, com cheiro característico). Tudo estava encharcado. Conseguimos salvar 40 minhoquinhas e recomeçamos uma nova caixa (mas reutilizamos o húmus produzido pela primeira caixa).
Quem escreveu isso foi o Nilton, Moleque de ideias desde antes, que nem eu e o Luís Eugênio. E aí eu fiquei emocionada com o "minhoquinhas". É isso também que a gente precisa num ambiente que sustente a criatividade: carinho.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Hoje eu só quero mesmo é homenagear o Vitor Nunes.
Vitor Nunes, 5 anos 4 meses
Vitor esteve nas férias acompanhando um primo que estava visitando escolas. Foram conhecer a "sala de informática" da escola e Vitor começou a fazer perguntas à responsável pela sala. Depois de terminada a entrevista, Vitor se vira para a tia e diz "Ô tia Mônica! Acho melhor você não colocar o meu primo aqui nesta escola não. Ele não vai aprender nada. Esta moça sabe menos do que eu!"
A mãe me contou a história constrangida pelo descaramento do Vitor. Conversamos e chegamos à conclusão de que ele podia melhorar no social, mas que provavelmente estava certo. :)
Vitor começou desenhando no Kid Pix. Com a ferramenta texto, começou a escrever, ficou um bom tempo escrevendo. Dei a ideia para ele carimbar figurinhas diferentes e escrever o nome delas. Ele gostou. Ficou bem legal. Colocava carimbos e escrevia ao lado o que era. Viu como posicionar o texto depois de escrito, alinhamento e tamanho da fonte. Fez seu próprio carimbo: “Esse vai ser fácil escrever”. Carimbou uma letra C, e escreveu do lado: “ce". E me olhou com aquela cara dele.
Trabalhou desenhando um carro, no início com uma fumaça atrás. E aprendeu que, no simulador de física, curvas abertas não formam figuras. Demorou um tempo prestando atenção, experimentou mais algumas vezes e no final, aconteceu o que o meu pai chamava de "estalo":
- AGORA eu entendi qual é a da parada!

Eu disse que a impressora nova imprime a laser e se cair água não estraga o desenho. A tinta fica ali, firme. Ele havia trazido uma garrafinha d’água, e resolveu fazer um teste: “Vou fazer um Kid Pix qualquer aqui e imprimir.” Fez tudo sozinho, do login à impressão. Pediu para colocar a gotinha que ia cair na folha na minha mão: "Que eu tenho muito medo de derramar...". Ficou muito bem impressionado com o resultado. Foi mostrar para a mãe.
Quis imprimir mais. Explorou ferramentas e gostou demais de fazer as espirais: “Sinistro! Esse é sinistro!" “Olha isso! Um homem saindo do buraco!” “Olha minha mola! É uma mola colorida, PERCEBEU?”
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Vitor Nunes, 14 anos e dois meses de idade
Então, esse é o Vitor Nunes, que frequenta a Moleque de ideias desde pequeno, há precisamente 10 anos. Uma hora por semana no início, atualmente 3 horas por semana.
Hoje me deu uma alegria vê-lo trabalhando. Conversamos e eu falei que gostaria de escrever sobre ele. Autorizou sem ler. Na confiança. Vamos ver o que ele acha depois. :)
Chegou pra dar continuidade ao seu novo projeto de um jogo em papel. Vem fazendo isso há algumas semanas. Já fez um antes, baseado no Super Mario. Este primeiro foi sucesso e a gente jogou muitas vezes. Muita gente gostou. Usa computador pra imprimir, recorta, monta os personagens em 3 dimensões. Fiquei feliz porque eu queria pendurar umas coisas nas árvores do jardim da Moleque e ele me deu umas peças extras de presente.
Mais pra frente eu posso mostrar mais a respeito desse jogo novo.
Hoje eu só quero mesmo é homenagear o Vitor Nunes.
Vitor esteve nas férias acompanhando um primo que estava visitando escolas. Foram conhecer a "sala de informática" da escola e Vitor começou a fazer perguntas à responsável pela sala. Depois de terminada a entrevista, Vitor se vira para a tia e diz "Ô tia Mônica! Acho melhor você não colocar o meu primo aqui nesta escola não. Ele não vai aprender nada. Esta moça sabe menos do que eu!"
A mãe me contou a história constrangida pelo descaramento do Vitor. Conversamos e chegamos à conclusão de que ele podia melhorar no social, mas que provavelmente estava certo. :)
Vitor, 6 anos e 1 mês
Vitor começou desenhando no Kid Pix. Com a ferramenta texto, começou a escrever, ficou um bom tempo escrevendo. Dei a ideia para ele carimbar figurinhas diferentes e escrever o nome delas. Ele gostou. Ficou bem legal. Colocava carimbos e escrevia ao lado o que era. Viu como posicionar o texto depois de escrito, alinhamento e tamanho da fonte. Fez seu próprio carimbo: “Esse vai ser fácil escrever”. Carimbou uma letra C, e escreveu do lado: “ce". E me olhou com aquela cara dele.
Vitor Nunes, 6 anos e 2 meses
Trabalhou desenhando um carro, no início com uma fumaça atrás. E aprendeu que, no simulador de física, curvas abertas não formam figuras. Demorou um tempo prestando atenção, experimentou mais algumas vezes e no final, aconteceu o que o meu pai chamava de "estalo":
- AGORA eu entendi qual é a da parada!
Vitor Nunes, 6 anos e 5 meses

Eu disse que a impressora nova imprime a laser e se cair água não estraga o desenho. A tinta fica ali, firme. Ele havia trazido uma garrafinha d’água, e resolveu fazer um teste: “Vou fazer um Kid Pix qualquer aqui e imprimir.” Fez tudo sozinho, do login à impressão. Pediu para colocar a gotinha que ia cair na folha na minha mão: "Que eu tenho muito medo de derramar...". Ficou muito bem impressionado com o resultado. Foi mostrar para a mãe.
Quis imprimir mais. Explorou ferramentas e gostou demais de fazer as espirais: “Sinistro! Esse é sinistro!" “Olha isso! Um homem saindo do buraco!” “Olha minha mola! É uma mola colorida, PERCEBEU?”
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Vitor Nunes, 14 anos e dois meses de idade
Então, esse é o Vitor Nunes, que frequenta a Moleque de ideias desde pequeno, há precisamente 10 anos. Uma hora por semana no início, atualmente 3 horas por semana.
Hoje me deu uma alegria vê-lo trabalhando. Conversamos e eu falei que gostaria de escrever sobre ele. Autorizou sem ler. Na confiança. Vamos ver o que ele acha depois. :)
Chegou pra dar continuidade ao seu novo projeto de um jogo em papel. Vem fazendo isso há algumas semanas. Já fez um antes, baseado no Super Mario. Este primeiro foi sucesso e a gente jogou muitas vezes. Muita gente gostou. Usa computador pra imprimir, recorta, monta os personagens em 3 dimensões. Fiquei feliz porque eu queria pendurar umas coisas nas árvores do jardim da Moleque e ele me deu umas peças extras de presente.
Mais pra frente eu posso mostrar mais a respeito desse jogo novo.
Hoje eu só quero mesmo é homenagear o Vitor Nunes.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Essa geração é bacana. E amável. Eu gosto.
Ontem o João Vitor, 16, passou a tarde lá na Moleque e me explicou
tintim por tintim o enredo de um jogo que ele gosta de jogar: Until
Dawn.
Resumo do jogo: duas irmãs gêmeas adolescentes caem num buraco, uma morre na queda, a outra depois de alguns dias, presa e esfomeada, resolve comer a morta. Corta a cabeça dela antes. Por estar em área amaldiçoada, a canibal vira um monstro. E daí pra frente o jogador passa a história inteira levando susto e decidindo quem é que ele vai deixar morrer ou viver nas situações do jogo. É um cinema de terror interativo.
Pois bem, o João já há algum tempo reproduz as imagens do filme desenhando e produzindo em massinha os personagens. Eu às vezes devo confessar que fico horrorizada, digo pra ele e ele fica rindo e me acalmando, numa paz de Buda.
E João é tão legal que hoje ele levou de presente um bolo de aniversário pro Nilton, e já tinha levado um pra mim há um mês atrás. Ficamos lá cantando parabéns e comendo bolo de caramelo todo mundo junto. João é um doce.
Ontem ele me mostrou um grupo no Facebook de pessoas que curtem esse jogo. Pedi pra entrar, pra poder ver as publicações do João, ele não se incomodou, me adicionou e eles me aceitaram.
Hoje vi um vídeo de uma mocinha que faz parte do grupo mostrando como faz nela mesma uma maquiagem pra ficar como a monstra do jogo. Vídeo maneiríssimo.
O que me chamou a atenção foi que no meio dos comentários de outros jovens como ela, eu comentei o vídeo, elogiando e perguntando que tipo de tinta ela tinha usado. Eu quis saber pra poder falar pro Pedro, outro lá da Moleque que gosta de se maquiar pra fazer os vídeos de herói dele. Na mesma hora a garota - Julie - me respondeu, muito simpática, dizendo que tinha sido maquiagem comum que ela tinha achado no armário dela. E ainda marcou meu nome pra eu não perder a resposta.
Outro doce de pessoa, na minha conclusão. E outra ótima artista.
Essa geração é bacana. E amável. Eu gosto.
Resumo do jogo: duas irmãs gêmeas adolescentes caem num buraco, uma morre na queda, a outra depois de alguns dias, presa e esfomeada, resolve comer a morta. Corta a cabeça dela antes. Por estar em área amaldiçoada, a canibal vira um monstro. E daí pra frente o jogador passa a história inteira levando susto e decidindo quem é que ele vai deixar morrer ou viver nas situações do jogo. É um cinema de terror interativo.
Pois bem, o João já há algum tempo reproduz as imagens do filme desenhando e produzindo em massinha os personagens. Eu às vezes devo confessar que fico horrorizada, digo pra ele e ele fica rindo e me acalmando, numa paz de Buda.
E João é tão legal que hoje ele levou de presente um bolo de aniversário pro Nilton, e já tinha levado um pra mim há um mês atrás. Ficamos lá cantando parabéns e comendo bolo de caramelo todo mundo junto. João é um doce.
Ontem ele me mostrou um grupo no Facebook de pessoas que curtem esse jogo. Pedi pra entrar, pra poder ver as publicações do João, ele não se incomodou, me adicionou e eles me aceitaram.
Hoje vi um vídeo de uma mocinha que faz parte do grupo mostrando como faz nela mesma uma maquiagem pra ficar como a monstra do jogo. Vídeo maneiríssimo.
O que me chamou a atenção foi que no meio dos comentários de outros jovens como ela, eu comentei o vídeo, elogiando e perguntando que tipo de tinta ela tinha usado. Eu quis saber pra poder falar pro Pedro, outro lá da Moleque que gosta de se maquiar pra fazer os vídeos de herói dele. Na mesma hora a garota - Julie - me respondeu, muito simpática, dizendo que tinha sido maquiagem comum que ela tinha achado no armário dela. E ainda marcou meu nome pra eu não perder a resposta.
Outro doce de pessoa, na minha conclusão. E outra ótima artista.
Essa geração é bacana. E amável. Eu gosto.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Moleque de Ideias versão baby. To encantada.
Hoje eu só tenho um assunto. Ainda que tenham abatido o avião russo e o mundo esteja perigando acabar (tomara que não); ainda que o Terêncio Porto esteja lançando o terceiro livro dele e eu tenha me esquecido de ir (tomara que ele me perdoe); ainda que a lama tóxica da Samarco continue espalhando estrago pela costa brasileira e a presidenta pense que podemos ver isso como coisa positiva (tomara que ela se dane)... eu hoje só tenho um assunto:
- Eu hoje passei o dia com Alice!
Pra quem não conhece Alice, não sabe o que está perdendo. Filha do Nilton e da Tatiana, 6 meses de vida, linda, simpaticíssima, sorridente e ... ruiva.
Eu tenho um negócio com gente ruiva, dá uma alegria em mim aquele fogaréu no cabelo. Alice nem é fogaréu ainda, nem sei se vai ser ruiva mais pra frente, mas hoje aquele cabelinho mínimo e puxado pro vermelhinho me deu uma felicidade danada.
E o sorriso fácil e frequente, o interesse por tudo, o sono tranquilo, o estalado da boca que só conhece leite de mãe e fruta quando entra na cozinha e sente cheiro de comida de adulto. Alice.
Hoje ela pisou no gramado do telhado verde e gostou demais. Os pés do tamanho de um carrinho Matchbox. E eu fiquei pensando que quando crescer ela vai lembrar daquele gramado com amor porque gramado tende a deixar a gente feliz. E o que pra mim é grande, na memória de Alice vai ser gigante. Um gramado gigante de felicidade.
Eu que gostava de repetir que a Moleque de Ideias era pra criança de 4 anos de idade em diante, hoje estava lá com berço do lado da minha mesa e ouvindo música de ninar neném. E vamos incrementar isso, porque se eu fiz escolinha até pra filhote de gato, imaginem o que vamos preparar para Alice. E ainda tem a Elis, o Nikolai e a Manuela pra se esbaldarem lá este ano. Pessoal da Moleque resolveu ter filhote tudo ao mesmo tempo. Sejam todos muito bem-vindos.
Casa nova e cheia de neném. Moleque de Ideias versão baby. To encantada.
- Eu hoje passei o dia com Alice!
Pra quem não conhece Alice, não sabe o que está perdendo. Filha do Nilton e da Tatiana, 6 meses de vida, linda, simpaticíssima, sorridente e ... ruiva.
Eu tenho um negócio com gente ruiva, dá uma alegria em mim aquele fogaréu no cabelo. Alice nem é fogaréu ainda, nem sei se vai ser ruiva mais pra frente, mas hoje aquele cabelinho mínimo e puxado pro vermelhinho me deu uma felicidade danada.
E o sorriso fácil e frequente, o interesse por tudo, o sono tranquilo, o estalado da boca que só conhece leite de mãe e fruta quando entra na cozinha e sente cheiro de comida de adulto. Alice.
Hoje ela pisou no gramado do telhado verde e gostou demais. Os pés do tamanho de um carrinho Matchbox. E eu fiquei pensando que quando crescer ela vai lembrar daquele gramado com amor porque gramado tende a deixar a gente feliz. E o que pra mim é grande, na memória de Alice vai ser gigante. Um gramado gigante de felicidade.
Eu que gostava de repetir que a Moleque de Ideias era pra criança de 4 anos de idade em diante, hoje estava lá com berço do lado da minha mesa e ouvindo música de ninar neném. E vamos incrementar isso, porque se eu fiz escolinha até pra filhote de gato, imaginem o que vamos preparar para Alice. E ainda tem a Elis, o Nikolai e a Manuela pra se esbaldarem lá este ano. Pessoal da Moleque resolveu ter filhote tudo ao mesmo tempo. Sejam todos muito bem-vindos.
Casa nova e cheia de neném. Moleque de Ideias versão baby. To encantada.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Amor de neta por avô não há loucura que apague.
Ontem eu vi um exercício pra escritor que era assim:
"Escreva uma pequena cena dramática em que duas pessoas conversam e, cada uma delas, possui um segredo que a outra desconhece. Detalhe: os segredos não podem ser revelados aos leitores. Ser criativo envolve saber brincar com o sigilo de seus personagens e manter leitores curiosos com o desfecho."
Pois bem, não sei fazer isso. Na verdade nem entendo como é que alguém pode escrever sobre segredos sem revelá-los. E também não sei o que é "uma pequena cena dramática". Mas acabei me lembrando de uma história que me contaram uma vez, sobre uma garota e seu avô.
Os dois iam de taxi para o centro da cidade onde moravam. O avô olha pra neta e diz :
- Quando eu morrer, vou deixar uma confusão danada, uma bomba mesmo.
A neta, que gostava muito do avô e também de ser boazinha, diz:
- Não se preocupe com isso, o que quer que seja, eu tomo conta pra você.
E ela pensou "Vai ver que vovô tem um orfanato e eu posso sim tomar conta das crianças pra ele."
Pouco tempo depois, o avô mais querido do mundo morre. Prá sempre. E ela descobre que ele não tinha orfanato nenhum. O que ele tinha era outra família, com outros filhos. E que ele com isso quase deixa todo mundo doido na família primeira. Deu um trabalho danado. Não pra neta, pra mãe da neta, filha do avô biruta.
Mas o amor dela pelo avô não vacilou nem um instantinho. Amor de neta por avô não há loucura que apague.
"Escreva uma pequena cena dramática em que duas pessoas conversam e, cada uma delas, possui um segredo que a outra desconhece. Detalhe: os segredos não podem ser revelados aos leitores. Ser criativo envolve saber brincar com o sigilo de seus personagens e manter leitores curiosos com o desfecho."
Pois bem, não sei fazer isso. Na verdade nem entendo como é que alguém pode escrever sobre segredos sem revelá-los. E também não sei o que é "uma pequena cena dramática". Mas acabei me lembrando de uma história que me contaram uma vez, sobre uma garota e seu avô.
Os dois iam de taxi para o centro da cidade onde moravam. O avô olha pra neta e diz :
- Quando eu morrer, vou deixar uma confusão danada, uma bomba mesmo.
A neta, que gostava muito do avô e também de ser boazinha, diz:
- Não se preocupe com isso, o que quer que seja, eu tomo conta pra você.
E ela pensou "Vai ver que vovô tem um orfanato e eu posso sim tomar conta das crianças pra ele."
Pouco tempo depois, o avô mais querido do mundo morre. Prá sempre. E ela descobre que ele não tinha orfanato nenhum. O que ele tinha era outra família, com outros filhos. E que ele com isso quase deixa todo mundo doido na família primeira. Deu um trabalho danado. Não pra neta, pra mãe da neta, filha do avô biruta.
Mas o amor dela pelo avô não vacilou nem um instantinho. Amor de neta por avô não há loucura que apague.
domingo, 22 de novembro de 2015
Pelas almas livres e pelas famílias grandes
Muito bem, muito bem, muito bem, senhoras e senhores, nasce neste momento o segundo post, o post número 2 do já famoso e admirado por todos "Todo dia um texto".
Acabei de ver o filme "Still Alice", sobre uma mulher intelectualmente brilhante que começa a se esquecer de tudo aos 50 anos de idade.
E eu tenho a dizer o seguinte sobre isso: um dos grandes males do mundo é que o pensamento industrial fordista e a sua inescrupulosa linha de montagem se espalharam por tudo quanto é canto.
Se Alice, a que esquece tudo e passa a ficar disfuncional, vivesse em Cachoeiras de Macacu nos anos 50, provavelmente iria estar numa casa com umas 7 irmãs, cachorro, papagaio, criança dos outros, gente cozinhando, gente lavando, gente dormindo, tudo junto misturado. Quando eu era pequena era assim na casa de uma das minhas tias: ela tinha uma irmã casada com um homem que perdeu a memória e ele ficava por lá e todo mundo acabava nem notando direito de tanta coisa que tinha pra notar.
Mas a Alice do filme vai visitar um dia uma casa de tratamento cheia de gente sofrendo do mesmo mal. Lá só tem médico e doente, não tem mais vida, é vazio de contrastes. Igual a casa de repouso para idosos. Igual a escola que só tem criança da mesma idade e professor. Igual a hospital onde o doente quando finalmente dorme às 5 da manhã depois de uma noite no inferno, é obrigado a acordar com alguém espetando uma agulha nele pra tirar sangue porque tem que ser assim, já tão tirando o sangue de todo mundo um depois do outro nesse corredor... E a pessoa que se dane.
Então hoje foi isso: um texto pelas almas livres e pelas famílias grandes. Com cachorro, gato, papagaio, gente esquecida, neném de fralda e todo mundo junto. Menos eficientes e mais humanos.
Acabei de ver o filme "Still Alice", sobre uma mulher intelectualmente brilhante que começa a se esquecer de tudo aos 50 anos de idade.
E eu tenho a dizer o seguinte sobre isso: um dos grandes males do mundo é que o pensamento industrial fordista e a sua inescrupulosa linha de montagem se espalharam por tudo quanto é canto.
Se Alice, a que esquece tudo e passa a ficar disfuncional, vivesse em Cachoeiras de Macacu nos anos 50, provavelmente iria estar numa casa com umas 7 irmãs, cachorro, papagaio, criança dos outros, gente cozinhando, gente lavando, gente dormindo, tudo junto misturado. Quando eu era pequena era assim na casa de uma das minhas tias: ela tinha uma irmã casada com um homem que perdeu a memória e ele ficava por lá e todo mundo acabava nem notando direito de tanta coisa que tinha pra notar.
Mas a Alice do filme vai visitar um dia uma casa de tratamento cheia de gente sofrendo do mesmo mal. Lá só tem médico e doente, não tem mais vida, é vazio de contrastes. Igual a casa de repouso para idosos. Igual a escola que só tem criança da mesma idade e professor. Igual a hospital onde o doente quando finalmente dorme às 5 da manhã depois de uma noite no inferno, é obrigado a acordar com alguém espetando uma agulha nele pra tirar sangue porque tem que ser assim, já tão tirando o sangue de todo mundo um depois do outro nesse corredor... E a pessoa que se dane.
Então hoje foi isso: um texto pelas almas livres e pelas famílias grandes. Com cachorro, gato, papagaio, gente esquecida, neném de fralda e todo mundo junto. Menos eficientes e mais humanos.
sábado, 21 de novembro de 2015
Pode ser que um dia eu invente a minha personagem.
Esse é o famoso primeiro post do meu novo blog, o simpático e irresistível "Todo dia um texto". :) Que ele seja muito bem-vindo e sintam-se todos bem-vindos a ele.
Quando li Os Buddenbrooks, do Thomas Mann, há muitos anos atrás, soube que ele escrevia todo dia alguma coisa, mesmo que não prestasse para nada o texto. Prestava pra alguma coisa o exercício, provavelmente.
E eu sempre tive esse sonho de escrever para os outros. Já pensou o barato que deve ser você saber que tem gente se emocionando com o que a você escreveu um dia? Eu tenho vontade de criar personagens, cenários, tramas... Mas ainda não consegui. Escrevo mais sobre coisas que acontecem de verdade.
Na Moleque de ideias, onde eu trabalho, sempre escrevi muito, muito mesmo, sobre as crianças com quem me relacionei. Sempre apresentei os pequenos como protagonistas das suas histórias e acho que a minha principal motivação é a de tentar compreendê-los para ajudá-los melhor. Uma outra motivação sempre foi imaginar a alegria que os pais sentiriam quando estivessem lendo as aventuras dos seus filhos. Esses relatos foram elogiados muitas vezes por amigos e parentes das crianças. Alguns são guardados para sempre nos baús de memórias das famílias. Muitas mães já me encontraram anos depois e comentaram isso comigo, sobre como guardam até hoje meus relatórios e como são importantes para elas, sobre como ali elas conseguem ver os seus filhos "como eles são de verdade". :) Mas eu acho que a maior motivação de todas é desejo: eu gosto de escrever e aproveitei pra me esbaldar lá na Moleque.
Bom, é isso por hoje. Pode ser que o meu negócio seja mesmo escrever sobre os outros. Ou pode ser que seja somente escrever, seja o que for. Pode ser que um dia eu invente a minha personagem. Vamos ver.
Quando li Os Buddenbrooks, do Thomas Mann, há muitos anos atrás, soube que ele escrevia todo dia alguma coisa, mesmo que não prestasse para nada o texto. Prestava pra alguma coisa o exercício, provavelmente.
E eu sempre tive esse sonho de escrever para os outros. Já pensou o barato que deve ser você saber que tem gente se emocionando com o que a você escreveu um dia? Eu tenho vontade de criar personagens, cenários, tramas... Mas ainda não consegui. Escrevo mais sobre coisas que acontecem de verdade.
Na Moleque de ideias, onde eu trabalho, sempre escrevi muito, muito mesmo, sobre as crianças com quem me relacionei. Sempre apresentei os pequenos como protagonistas das suas histórias e acho que a minha principal motivação é a de tentar compreendê-los para ajudá-los melhor. Uma outra motivação sempre foi imaginar a alegria que os pais sentiriam quando estivessem lendo as aventuras dos seus filhos. Esses relatos foram elogiados muitas vezes por amigos e parentes das crianças. Alguns são guardados para sempre nos baús de memórias das famílias. Muitas mães já me encontraram anos depois e comentaram isso comigo, sobre como guardam até hoje meus relatórios e como são importantes para elas, sobre como ali elas conseguem ver os seus filhos "como eles são de verdade". :) Mas eu acho que a maior motivação de todas é desejo: eu gosto de escrever e aproveitei pra me esbaldar lá na Moleque.
Bom, é isso por hoje. Pode ser que o meu negócio seja mesmo escrever sobre os outros. Ou pode ser que seja somente escrever, seja o que for. Pode ser que um dia eu invente a minha personagem. Vamos ver.
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