terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Os dois perderam.

Entendo assim: para que a guerra aconteça É NECESSÁRIA A EXISTÊNCIA DE UM INIMIGO.

Ou seja, EU NÃO QUERO CONSTRUIR INIMIGOS, porque, embora não tenha pavio, me vejo em essência como uma pessoa que acredita na paz. "UMA PESSOA DA PAZ" deve evitar acima de tudo CRIAR O INIMIGO. Porque se assim não for, a pessoa estará CRIANDO EXATAMENTE AQUILO QUE QUER EVITAR. Não é uma boa.

Vou explicar mais um pouco. Uma coisa é a gente ficar revoltada com uma coisa que aconteça. Uma amiga minha, por exemplo, acabou de ficar revoltada porque tem gente congelando borboleta pra cerimônia de casamento. Eu também acho revoltante e citei o exemplo só para a gente ver como tem muita coisa diferente revoltante acontecendo. Há o caso Mariana, roubalheira dos nossos representantes, assassinato de jovens, assassinato pra tudo quanto é lado, todo mundo que está assassinando achando que está agindo em nome do que acha certo. As moças cruéis que congelam borboletas só parecem melhores do que pessoas que matam gente, porque a gente não é borboleta. O problema não é a gente se revoltar. O problema é como a gente lida com isso.

Hoje eu fiquei revoltada também. Revoltadíssima. Não porque pessoas diferentes pensam obviamente coisas diferentes. Mas porque quiseram me enfiar de qualquer jeito numa caixinha com o rótulo: INIMIGO.

E a maior revolta não é nem por isso, mas porque, pra fazer isso, a pessoa tem que ter criado a caixinha antes. Criou inimigo, pra mim, não está num bom caminho.

Eu penso que a gente tem que ter o cuidado de não ver o mundo em branco e preto, sem  tons de cinza, mais ou menos como os bebês: é a mamãe ou não é a mamãe. Quando a gente, para cada situação complexa que aparece, esquece da complexidade e começa a dividir tudo em duas caixinhas, aí a gente começa a querer enfiar tudo e todos só nessas duas. E aí a gente às vezes tem que delirar pra fazer isso. O delírio do sangue na boca.

Enfim, pra concluir, eu me lembrei de uma historinha de um garoto que tinha 5 anos e estava brincando com dois dinossauros perto de mim. Os dinossauros estavam lutando. Lutaram, lutaram, lutaram. No final, tudo tranquilo, eu perguntei: - Quem ganhou? Ele respondeu: - Os dois perderam.



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