terça-feira, 15 de dezembro de 2015

E esse foi o conto de hoje.

Esse é um blog, um diário de contos. Entre outras coisas.


Há muito tempo atrás, no tempo em que as ruas eram iluminadas por lampiões, se você pegasse a barca do Rio para Niterói numa noite escura, poderia te acontecer algo parecido com isso que eu vou contar agora.

O José trabalhava no Rio e morava em Niterói. Quando deixava a Estação das Barcas e pegava a margem da esquerda, a caminho de casa, estava sempre já escuro e quieto. Ele estava até acostumado a enxergar com a luz da Lua, quando havia, ou menos um pouco quando não havia nada.

Uma noite, ele ouviu um chorinho. Fraco, mas presente. E José caminhou mais para perto da fonte do som e viu o que pensava que ia ver: um bebezinho, embrulhado numa mantinha, chorando baixinho. Sozinho. José na mesma hora pegou o bebezinho no colo e foi em busca de ajuda.

Os lampiões ficavam bem longe um do outro e assim que chegou no seguinte, José quis ver a carinha do bebê e lhe prestar mais algum consolo. Pois, ao afastar a manta e olhar para o seu rostinho, José, horrorizado, viu que a criança tinha dentes gigantes de rato. Compridos, grossos, amarelados, dois deles chegavam-lhe ao queixo.

José jogou a criança no mato e o mais rápido que pode correu desabalado na direção do próximo poste de luz. Ao se aproximar, percebeu que lá estava um guarda municipal prestando vigilância.

O esbaforido e ofegante José conseguiu chegar até o guarda, ainda correndo e gritando e resumindo a história esganiçadamente assim: "Eu vi um bebê horrível com dentes enormes de rato!"

Ao que o guarda se virou... devagar... a luz do lampião revelando aos poucos a sua cara estranha, e perguntou com toda a calma e numa voz bem grave: "Maiores do que os MEUS?"

Seus dentes horríveis, compridos, grossos e amarelados, chegavam-lhe até o peito.


E esse foi o conto de hoje.



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