segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Enfim, salvaram-se todos. Menos o porco, que já tinha morrido antes.

Era uma vez um rato que tinha uns bigodes bem compridos.
- Hum, eu to sentindo um cheirinho de bacon... Todo dia de manhã esses humanos cozinham bacon e eu AMO, simplesmente, então eu acho que um dia vou tomar coragem e vou lá tentar pegar esse bacon.

E ele ficou pensando que o dia podia ser hoje, por que não hoje? E aí foi tentando chegar mais perto. Foi caminhando, assim: rapidinho, parado, rapidinho, parado... que é porque se ele vai direto tem mais chance de ser apanhado.

No terreno morava uma gata cinza, muito velha já, mas muito malandrinha. Parecia adolescente sempre. Dormia a maior parte do tempo e acordava na disposição. Fazia alongamento, pegava o sol da manhã e dava umas corridinhas de pega. Comia ração, o que dava mais chance ao rato. Mas sabe como é gato, gato caça.

O rato então continuou no esconde, esconde. Se ele caminha direto, dá chace à gata de calcular melhor a trajetória. Então ele foi devagar. Assim que pode pegou o caminho da horta e foi se disfarçando entre bertalhas, couves, quiabos, alecrim, cebolinhas e até um pé de morango. Tudo verde, ele cinza, mais escuro que o cinza da gata. Confundia-se melhor com o muro do que com as verduras, mas elas davam tumulto visual e sombra. Estava indo bem e quase chegando na porta da cozinha da casa.

A gata só viu um treco que não era planta - porque planta é parada - habitando a horta. Novidade. Novidade era com ela. Qualquer novidade era com ela. Gaveta aberta recentemente, armário, todo tipo de caixa, edredom, qualquer porta aberta, ela entrava pra conhecer. Coisas se mexendo também a deixavam bem curiosa.

Foi caminhando pela lateral, devagar, imperceptível no seu passo macio de gata.

Quando o rato chegou na porta da cozinha ela pulou na frente dele, olhos fixos no cara dele, e disse: Miau.

O rato pensou no bacon, na vida, e concluiu - "Bacon não é bom pro meu colesterol." Deu meia volta e só sentiu a pata da gata pisando na ponta do rabo dele. Apavorou-se, mas deu um grito bem alto e a gata levantou a pata no susto. Daí ele descobriu que se continuasse gritando, conseguia correr. E foi aquele alvoroço no quintal. Rato, gato, tudo gritando e correndo. Mas rato não é rato à toa. E esse conseguiu arrumar um buraquinho, se transformar em manteiga e escorregar pra dentro, deixando a gata só mais treinada. Prá próxima.

O povo da casa correu pra ver o que estava acontecendo e se esqueceu do bacon, que virou um carvãozinho na frigideira.

Enfim, salvaram-se todos. Menos o porco, que já tinha morrido antes.

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