Durante muitos anos eu tive turmas grandes com crianças de 5, 6 anos de idade, que adoravam ouvir uma história que eu inventei para elas. Gostavam tanto que toda semana me pediam para contar de novo. E até mais de uma vez no mesmo dia: eu contava, elas no final, pediam, "De novo!" Acabou virando peça de teatro, comigo e alguns deles atuando (por desejo próprio), enquanto os que não queriam atuar, mas queriam vibrar na plateia, ficavam assistindo. Um sucesso. A coisa toda era baseada no fato de que meu cabelo é cheio e comprido.
... era uma vez uma bruxa que vivia numa floresta. Ela gostava de sair para passear e catar coisas por lá pra fazer a sua janta. Um dia aconteceu uma coisa diferente. Ela estava andando há algum tempo e a sua bolsa estava já cheia de pequenos trecos: umas folhas de urtiga, dois cogumelo esquisitos, um monte de sementes, raízes, frutas... coisas que a gente encontra com facilidade numa floresta. Tinha até um besouro seco. Ela vinha caminhando, pensando em voltar pra casa, quando viu lá em cima de uma pedra, uma planta com um fiapo bem comprido que na ponta tinha uma coisa que parecia ser uma peninha de pássaro. Bem pequenininha. Bom, a bruxa quis conhecer a novidade e subiu na pedra. Depois de um certo esforço, chegou lá em cima e viu que era uma peninha mesmo. Azul. Guardou na bolsa e resolveu ir pra casa.
No caminho, ela pensou: - "Eu vou fazer um caldo e vou colocar essa coisa, pra ver que gosto tem". E aí ela chegou em casa e foi colocar logo fogo no caldeirão. Ela gostava bastante de cozinhar no caldeirão. Dava aquele calor e tinha as borbulhas e uma fumacinha, que alegrava muito a bruxa. Então começou a cozinhar: colocou água de chuva, cascas de árvores, gosma de sapo, uns matos... um pedacinho de abóbora, umas batatas doces... e pôs a peninha no final. Na mesma hora o caldo fez PUFT! Bem alto! Deu uns tremeliques... e depois se acalmou.
A bruxa levou um susto, mas sossegou junto com o caldo e resolveu tomá-lo assim mesmo. Pegou uma concha, tirou um pouco, colocou numa xícara grande e aí deu um golinho de nada, porque queria mesmo experimentar. E aí, sabem o que aconteceu?
...
Nesse momento eu me virava e fazia uns barulhos e agitava o meu cabelo sem ninguém ver. E aí de repente me virava com o cabelo todo doido e fazia "Bu!"
Pronto. As crianças, mesmo as que já conheciam a história de trás pra diante, davam um grito e caíam na risada... "De novo!"
Pois bem. Essa é a história da história da bruxa da Leila. Até hoje, quando encontro com algumas das crianças, elas se lembram e sorriem. Eu fico tranquila. Essa bruxa era boa.
Muito boa! Vou contar para meu neto... bjs
ResponderExcluirAh, que bom que você gostou! Depois me conta!
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