segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Acho que é isso por hoje: quem sou eu.

Eu sou uma mistura de coisas - muitas repetições e algumas novidades. Muitas vezes eu me acompanho, mas na maior parte do tempo as coisas estão só acontecendo. Tipo um fogo: brilha, sacode, muda de lugar, tá aqui, tá ali... - e uma hora apaga todo. Sossega. Ou espalha. Ou espalha e depois sossega, mas vai mudando tanto de lugar que no final você não sabe mais quem era quem.

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E era assim que eles estavam de novo. Sentados na varanda, que nem todo final de tarde nos últimos 30 anos. Mas só há 1 ano e meio na mesma varanda, olhando o mesmo jardim verde, bonito, e hoje, molhado de chuva. Se encontraram por causa desse gosto pela contemplação, pelo papo furado, risadas tranquilas, cerveja e cigarro. E música. E beijo. Os dois gostam muito de beijo. E fiquem vocês sabendo que as varandas anteriores eram muito, mas muito longe mesmo uma da outra. Tiveram que atravessar oceanos e mares pra se encontrarem. Ela teve que fazer baldeação em 15 cidades diferentes antes de encontrar com ele. Ele teve que ficar indo muitas vezes sempre para o mesmo lugar. Até que um dia se acharam. Ela sabendo já, de tanto tempo que andava sozinha, que o que ela queria mesmo era um amor; ele querendo uma vida mais legal. Os dois acharam um ao outro e agora estão achando a si. Juntos - que como eu escrevi no outro dia, monstro de muita cabeça a gente só domina:
1) se encarar;
2) se tiver ajuda.

E às vezes quando a gente encontra muito consigo mesmo, de vez em quando aparece um desses.

Os dois não tem só um segredo cada um, que não serão revelados pra todo mundo um dia. Os dois tem segredos que nem eles conhecem, porque vêm de longe, vêm de muitos foguinhos, fogos e fogaréus que passaram antes e que ainda estão por aí, brilhando.

Acho que é isso por hoje: quem sou eu.





domingo, 29 de novembro de 2015

E alma lavada. Nova de novo.


Um domingo bonito e um banho de mar daqueles fáceis, em que o mar está sendo gentil e divertido, o sol está brilhando mas não está assando e as pessoas em volta estão tranquilas.

Hoje contei pro Mikael que aqui no Brasil, por herança africana, creio eu, tem o que a gente chama de "banho de descarrego": água, sal, ervas, misturadas e jogadas no corpo depois do banho de chuveiro pra fazer a gente se sentir melhor.

Pois eu acho que não tem banho de descarrego melhor que o oceano inteiro.

A gente entra nervoso às vezes, porque a vida deixa a gente nervoso, às vezes. E aí vai nadando, vai mergulhando, vai brincando e espera. Toda tensão do corpo escorrega pro mar. Depois é só gosto de sal na boca, frescor na pele e brilho no olhar.

E alma lavada. Nova de novo.


sábado, 28 de novembro de 2015

Enfim, é isso. Minhas reflexões sobre o drama.

Uns dias atrás eu escrevi que não sabia nem o que era uma cena dramática, como é que eu iria inventar uma? Hoje eu acho que sei sim, o que é drama: "múltiplos significados, imita a ação direta dos indivíduos, em que haja conflito ou atrito."

Drama é chato. Eu quando era pequena adorava participar das encenações teatrais do colégio. E teve uma vez que eu não consegui o papel principal porque eu tinha que dizer, sofrendo e implorando - "Oh, Sol, tu que és tão forte, derretes a neve e desprende o meu pezinho?" E eu caía no riso com a situação, não conseguia sofrer como a formiguinha. Perdi o papel e fui ser a primavera na peça, de vestido de flor e eu entrava dançando.

Drama é cansativo. Eu não sei se porque sou preguiçosa ou esperta, não gosto de investir tempo em raiva ou mágoa. Saio perdoando tudo com a desculpa de que somos todos humanos e me livro logo do peso. Mas às vezes demora um pouco a passar. Dormir normalmente ajuda. Movimento também. Uma vez cheguei tããããoooo chateada em casa que cheguei a me atirar na cama para chorar. Depois foi todo mundo nadar e eu fui junto, ainda carregando uma cruz pesadíssima. Aí comecei a nadar e depois de 400 metros eu já estava toda alegre. Movimento ajuda mesmo.


Drama é Hidra de Lerna. Sete ou nove cabeças te atacando, você corta uma, nascem duas. Hércules só conseguiu vencer a Hidra com ajuda: ele cortava uma cabeça, o sobrinho Iolau cauterizava o corte usando um tição. Para ultrapassar dramas, amizade é fundamental. Ou de alguém pela gente ou da gente por alguém ou da gente pela gente mesmo. Que tem muito drama que a gente faz sozinho.

Enfim, é isso. Minhas reflexões sobre o drama.


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

É isso também que a gente precisa num ambiente que sustente a criatividade: carinho.

Hoje penduramos uns origamis feitos pela Joca e pelo Vitor Nunes há muito tempo atrás. Eu tinha visto o avião vermelho que Vitor Tostes e Anderson tinham pendurado lá pra voar em círculos e achado muito bonito. Penduramos os origamis na goiabeira do jardim da frente. Ficou bonito também. Mas não tão bonito quanto o avião vermelho. Anderson pendurou uns pesinhos bem legais de pedra e franja nos origamis, coisa que ele aprendeu também com a Joca. Juliana ajudou o Anderson a fazer esse acabamento e a passar um fio pra gente pendurar nas árvores. Tenho foto deles trabalhando juntos, inventando solução.


Eu gosto muito de ver computador misturado com tesoura, papel, outras ferramentas...  Mentes criativas gostam muito de variedade. E toda mente é criativa, é uma questão de ambiente e oportunidade, na maioria das vezes. E de liberdade, principalmente.



O legal de pendurar trabalhos lá fora é que as pessoas todas podem ver o que é possível realizar. O Nilton sempre -  e meu pai e minha mãe, antes - valorizaram muito a exposição e a circulação de ideias. Eu executo e aprecio. E reconheço o valor.

E hoje eu li um trecho do livro sobre os primeiros dezenove anos da Moleque, o que o Michael escreveu em Inglês e a Juliana Shimada traduziu para Português (já, já vou estar circulando ele), que me fez ver outra coisa muito importante para sustentar um ambiente criativo. Dizia assim:

"No começo do ano o nosso composto estava desequilibrado - com mais substâncias gerando nitrogênio (vegetais, café...), do que carbono (grama e folhas secas) e muito fluido estava sendo gerado (água e amônia, com cheiro característico). Tudo estava encharcado. Conseguimos salvar 40 minhoquinhas e recomeçamos uma nova caixa (mas reutilizamos o húmus produzido pela primeira caixa). 

Quem escreveu isso foi o Nilton, Moleque de ideias desde antes, que nem eu e o Luís Eugênio. E aí eu fiquei emocionada com o "minhoquinhas". É isso também que a gente precisa num ambiente que sustente a criatividade: carinho.


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Hoje eu só quero mesmo é homenagear o Vitor Nunes.

Vitor Nunes, 5 anos 4 meses

Vitor esteve nas férias acompanhando um primo que estava visitando escolas. Foram conhecer a "sala de informática" da escola e Vitor começou a fazer perguntas à responsável pela sala. Depois de terminada a entrevista, Vitor se vira para a tia e diz "Ô tia Mônica! Acho melhor você não colocar o meu primo aqui nesta escola não. Ele não vai aprender nada. Esta moça sabe menos do que eu!"

A mãe me contou a história constrangida pelo descaramento do Vitor. Conversamos e chegamos à conclusão de que ele podia melhorar no social, mas que provavelmente estava certo. :)


Vitor, 6 anos e 1 mês

Vitor começou desenhando no Kid Pix. Com a ferramenta texto, começou a escrever, ficou um bom tempo escrevendo. Dei a ideia para ele carimbar figurinhas diferentes e escrever o nome delas. Ele gostou. Ficou bem legal. Colocava carimbos e escrevia ao lado o que era. Viu como posicionar o texto depois de escrito, alinhamento e tamanho da fonte. Fez seu próprio carimbo: “Esse vai ser fácil escrever”. Carimbou uma letra C, e escreveu do lado: “ce". E me olhou com aquela cara dele.


Vitor Nunes, 6 anos e 2 meses

Trabalhou desenhando um carro, no início com uma fumaça atrás. E aprendeu que, no simulador de física, curvas abertas não formam figuras. Demorou um tempo prestando atenção, experimentou mais algumas vezes e no final, aconteceu o que o meu pai chamava de "estalo":

- AGORA eu entendi qual é a da parada!


Vitor Nunes, 6 anos e 5 meses



Eu disse que a impressora nova imprime a laser e se cair água não estraga o desenho. A tinta fica ali, firme. Ele havia trazido uma garrafinha d’água, e resolveu fazer um teste: “Vou fazer um Kid Pix qualquer aqui e imprimir.” Fez tudo sozinho, do login à impressão. Pediu para colocar a gotinha que ia cair na folha na minha mão: "Que eu tenho muito medo de derramar...". Ficou muito bem impressionado com o resultado. Foi mostrar para a mãe.

Quis imprimir mais. Explorou ferramentas e gostou demais de fazer as espirais: “Sinistro! Esse é sinistro!" “Olha isso! Um homem saindo do buraco!” “Olha minha mola! É uma mola colorida, PERCEBEU?”

quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Vitor Nunes, 14 anos e dois meses de idade

Então, esse é o Vitor Nunes, que frequenta a Moleque de ideias desde pequeno, há precisamente 10 anos. Uma hora por semana no início, atualmente 3 horas por semana.

Hoje me deu uma alegria vê-lo trabalhando. Conversamos e eu falei que gostaria de escrever sobre ele. Autorizou sem ler. Na confiança. Vamos ver o que ele acha depois. :)


Chegou pra dar continuidade ao seu novo projeto de um jogo em papel. Vem fazendo isso há algumas semanas. Já fez um antes, baseado no Super Mario. Este primeiro foi sucesso e a gente jogou muitas vezes. Muita gente gostou. Usa computador pra imprimir, recorta, monta os personagens em 3 dimensões. Fiquei feliz porque eu queria pendurar umas coisas nas árvores do jardim da Moleque e ele me deu umas peças extras de presente.

Mais pra frente eu posso mostrar mais a respeito desse jogo novo.

Hoje eu só quero mesmo é homenagear o Vitor Nunes.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Essa geração é bacana. E amável. Eu gosto.

Ontem o João Vitor, 16, passou a tarde lá na Moleque e me explicou tintim por tintim o enredo de um jogo que ele gosta de jogar: Until Dawn.

Resumo do jogo: duas irmãs gêmeas adolescentes caem num buraco, uma morre na queda, a outra depois de alguns dias, presa e esfomeada, resolve comer a morta. Corta a cabeça dela antes. Por estar em área amaldiçoada, a canibal vira um monstro. E daí pra frente o jogador passa a história inteira levando susto e decidindo quem é que ele vai deixar morrer ou viver nas situações do jogo. É um cinema de terror interativo.

Pois bem, o João já há algum tempo reproduz as imagens do filme desenhando e produzindo em massinha os personagens. Eu às vezes devo confessar que fico horrorizada, digo pra ele e ele fica rindo e me acalmando, numa paz de Buda.


E João é tão legal que hoje ele levou de presente um bolo de aniversário pro Nilton, e já tinha levado um pra mim há um mês atrás. Ficamos lá cantando parabéns e comendo bolo de caramelo todo mundo junto. João é um doce.

Ontem ele me mostrou um grupo no Facebook de pessoas que curtem esse jogo. Pedi pra entrar, pra poder ver as publicações do João, ele não se incomodou, me adicionou e eles me aceitaram.

Hoje vi um vídeo de uma mocinha que faz parte do grupo mostrando como faz nela mesma uma maquiagem pra ficar como a monstra do jogo. Vídeo maneiríssimo.

O que me chamou a atenção foi que no meio dos comentários de outros jovens como ela, eu comentei o vídeo, elogiando e perguntando que tipo de tinta ela tinha usado. Eu quis saber pra poder falar pro Pedro, outro lá da Moleque que gosta de se maquiar pra fazer os vídeos de herói dele. Na mesma hora a garota - Julie - me respondeu, muito simpática, dizendo que tinha sido maquiagem comum que ela tinha achado no armário dela. E ainda marcou meu nome pra eu não perder a resposta.

Outro doce de pessoa, na minha conclusão. E outra ótima artista.

Essa geração é bacana. E amável. Eu gosto.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Moleque de Ideias versão baby. To encantada.

Hoje eu só tenho um assunto. Ainda que tenham abatido o avião russo e o mundo esteja perigando acabar (tomara que não); ainda que o Terêncio Porto esteja lançando o terceiro livro dele e eu tenha me esquecido de ir (tomara que ele me perdoe); ainda que a lama tóxica da Samarco continue espalhando estrago pela costa brasileira e a presidenta pense que podemos ver isso como coisa positiva (tomara que ela se dane)... eu hoje só tenho um assunto:

- Eu hoje passei o dia com Alice!

Pra quem não conhece Alice, não sabe o que está perdendo. Filha do Nilton e da Tatiana, 6 meses de vida, linda, simpaticíssima, sorridente e ... ruiva.

Eu tenho um negócio com gente ruiva, dá uma alegria em mim aquele fogaréu no cabelo. Alice nem é fogaréu ainda, nem sei se vai ser ruiva mais pra frente, mas hoje aquele cabelinho mínimo e puxado pro vermelhinho me deu uma felicidade danada.

E o sorriso fácil e frequente, o interesse por tudo, o sono tranquilo, o estalado da boca que só conhece leite de mãe e fruta quando entra na cozinha e sente cheiro de comida de adulto. Alice.

Hoje ela pisou no gramado do telhado verde e gostou demais. Os pés do tamanho de um carrinho Matchbox. E eu fiquei pensando que quando crescer ela vai lembrar daquele gramado com amor porque gramado tende a deixar a gente feliz. E o que pra mim é grande, na memória de Alice vai ser gigante. Um gramado gigante de felicidade.

Eu que gostava de repetir que a Moleque de Ideias era pra criança de 4 anos de idade em diante, hoje estava lá com berço do lado da minha mesa e ouvindo música de ninar neném. E vamos incrementar isso, porque se eu fiz escolinha até pra filhote de gato, imaginem o que vamos preparar para Alice. E ainda tem a Elis, o Nikolai e a Manuela pra se esbaldarem lá este ano. Pessoal da Moleque resolveu ter filhote tudo ao mesmo tempo. Sejam todos muito bem-vindos.

Casa nova e cheia de neném. Moleque de Ideias versão baby. To encantada.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Amor de neta por avô não há loucura que apague.

Ontem eu vi um exercício pra escritor que era assim:
"Escreva uma pequena cena dramática em que duas pessoas conversam e, cada uma delas, possui um segredo que a outra desconhece. Detalhe: os segredos não podem ser revelados aos leitores. Ser criativo envolve saber brincar com o sigilo de seus personagens e manter leitores curiosos com o desfecho."

Pois bem, não sei fazer isso. Na verdade nem entendo como é que alguém pode escrever sobre segredos sem revelá-los. E também não sei o que é "uma pequena cena dramática". Mas acabei me lembrando de uma história que me contaram uma vez, sobre uma garota e seu avô.

Os dois iam de taxi para o centro da cidade onde moravam. O avô olha pra neta e diz :
 - Quando eu morrer, vou deixar uma confusão danada, uma bomba mesmo.
A neta, que gostava muito do avô e também de ser boazinha, diz:
- Não se preocupe com isso, o que quer que seja, eu tomo conta pra você.

E ela pensou "Vai ver que vovô tem um orfanato e eu posso sim tomar conta das crianças pra ele."

Pouco tempo depois, o avô mais querido do mundo morre. Prá sempre. E ela descobre que ele não tinha orfanato nenhum. O que ele tinha era outra família, com outros filhos. E que ele com isso quase deixa todo mundo doido na família primeira. Deu um trabalho danado. Não pra neta, pra mãe da neta, filha do avô biruta.

Mas o amor dela pelo avô não vacilou nem um instantinho. Amor de neta por avô não há loucura que apague.

domingo, 22 de novembro de 2015

Pelas almas livres e pelas famílias grandes

Muito bem, muito bem, muito bem, senhoras e senhores, nasce neste momento o segundo post, o post número 2 do já famoso e admirado por todos "Todo dia um texto".

Acabei de ver o filme "Still Alice", sobre uma mulher intelectualmente brilhante que começa a se esquecer de tudo aos 50 anos de idade.

E eu tenho a dizer o seguinte sobre isso: um dos grandes males do mundo é que o pensamento industrial fordista e a sua inescrupulosa linha de montagem se espalharam por tudo quanto é canto.

Se Alice, a que esquece tudo e passa a ficar disfuncional, vivesse em Cachoeiras de Macacu nos anos 50, provavelmente iria estar numa casa com umas 7 irmãs, cachorro, papagaio, criança dos outros, gente cozinhando, gente lavando, gente dormindo, tudo junto misturado. Quando eu era pequena era assim na casa de uma das minhas tias: ela tinha uma irmã casada com um homem que perdeu a memória e ele ficava por lá e todo mundo acabava nem notando direito de tanta coisa que tinha pra notar.

Mas a Alice do filme vai visitar um dia uma casa de tratamento cheia de gente sofrendo do mesmo mal. Lá só tem médico e doente, não tem mais vida, é vazio de contrastes. Igual a casa de repouso para idosos. Igual a escola que só tem criança da mesma idade e professor. Igual a hospital onde o doente quando finalmente dorme às 5 da manhã depois de uma noite no inferno, é obrigado a acordar com alguém espetando uma agulha nele pra tirar  sangue porque tem que ser assim, já tão tirando o sangue de todo mundo um depois do outro nesse corredor... E a pessoa que se dane.

Então hoje foi isso: um texto pelas almas livres e pelas famílias grandes. Com cachorro, gato, papagaio, gente esquecida, neném de fralda e todo mundo junto. Menos eficientes e mais humanos. 

sábado, 21 de novembro de 2015

Pode ser que um dia eu invente a minha personagem.

Esse é o famoso primeiro post do meu novo blog, o simpático e irresistível "Todo dia um texto". :) Que ele seja muito bem-vindo e sintam-se todos bem-vindos a ele.

Quando li Os Buddenbrooks, do Thomas Mann, há muitos anos atrás, soube que ele escrevia todo dia alguma coisa, mesmo que não prestasse para nada o texto. Prestava pra alguma coisa o exercício, provavelmente.

E eu sempre tive esse sonho de escrever para os outros. Já pensou o barato que deve ser você saber que tem gente se emocionando com o que a você escreveu um dia? Eu tenho vontade de criar personagens, cenários, tramas... Mas ainda não consegui. Escrevo mais sobre coisas que acontecem de verdade.

Na Moleque de ideias, onde eu trabalho, sempre escrevi muito, muito mesmo, sobre as crianças com quem me relacionei. Sempre apresentei os pequenos como protagonistas das suas histórias e acho que a minha principal motivação é a de tentar compreendê-los para ajudá-los melhor. Uma outra motivação sempre foi imaginar a alegria que os pais sentiriam quando estivessem lendo as aventuras dos seus filhos. Esses relatos foram elogiados muitas vezes por amigos e parentes das crianças. Alguns são guardados para sempre nos baús de memórias das famílias. Muitas mães já me encontraram anos depois e comentaram isso comigo, sobre como guardam até hoje meus relatórios e como são importantes para elas, sobre como ali elas conseguem ver os seus filhos "como eles são de verdade". :) Mas eu acho que a maior motivação de todas é desejo: eu gosto de escrever e aproveitei pra me esbaldar lá na Moleque.

Bom, é isso por hoje. Pode ser que o meu negócio seja mesmo escrever sobre os outros. Ou pode ser que seja somente escrever, seja o que for. Pode ser que um dia eu invente a minha personagem. Vamos ver.