Muito bem, muito bem, muito bem, senhoras e senhores, nasce neste momento o segundo post, o post número 2 do já famoso e admirado por todos "Todo dia um texto".
Acabei de ver o filme "Still Alice", sobre uma mulher intelectualmente brilhante que começa a se esquecer de tudo aos 50 anos de idade.
E eu tenho a dizer o seguinte sobre isso: um dos grandes males do mundo é que o pensamento industrial fordista e a sua inescrupulosa linha de montagem se espalharam por tudo quanto é canto.
Se Alice, a que esquece tudo e passa a ficar disfuncional, vivesse em Cachoeiras de Macacu nos anos 50, provavelmente iria estar numa casa com umas 7 irmãs, cachorro, papagaio, criança dos outros, gente cozinhando, gente lavando, gente dormindo, tudo junto misturado. Quando eu era pequena era assim na casa de uma das minhas tias: ela tinha uma irmã casada com um homem que perdeu a memória e ele ficava por lá e todo mundo acabava nem notando direito de tanta coisa que tinha pra notar.
Mas a Alice do filme vai visitar um dia uma casa de tratamento cheia de gente sofrendo do mesmo mal. Lá só tem médico e doente, não tem mais vida, é vazio de contrastes. Igual a casa de repouso para idosos. Igual a escola que só tem criança da mesma idade e professor. Igual a hospital onde o doente quando finalmente dorme às 5 da manhã depois de uma noite no inferno, é obrigado a acordar com alguém espetando uma agulha nele pra tirar sangue porque tem que ser assim, já tão tirando o sangue de todo mundo um depois do outro nesse corredor... E a pessoa que se dane.
Então hoje foi isso: um texto pelas almas livres e pelas famílias grandes. Com cachorro, gato, papagaio, gente esquecida, neném de fralda e todo mundo junto. Menos eficientes e mais humanos.
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