segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Amor de neta por avô não há loucura que apague.

Ontem eu vi um exercício pra escritor que era assim:
"Escreva uma pequena cena dramática em que duas pessoas conversam e, cada uma delas, possui um segredo que a outra desconhece. Detalhe: os segredos não podem ser revelados aos leitores. Ser criativo envolve saber brincar com o sigilo de seus personagens e manter leitores curiosos com o desfecho."

Pois bem, não sei fazer isso. Na verdade nem entendo como é que alguém pode escrever sobre segredos sem revelá-los. E também não sei o que é "uma pequena cena dramática". Mas acabei me lembrando de uma história que me contaram uma vez, sobre uma garota e seu avô.

Os dois iam de taxi para o centro da cidade onde moravam. O avô olha pra neta e diz :
 - Quando eu morrer, vou deixar uma confusão danada, uma bomba mesmo.
A neta, que gostava muito do avô e também de ser boazinha, diz:
- Não se preocupe com isso, o que quer que seja, eu tomo conta pra você.

E ela pensou "Vai ver que vovô tem um orfanato e eu posso sim tomar conta das crianças pra ele."

Pouco tempo depois, o avô mais querido do mundo morre. Prá sempre. E ela descobre que ele não tinha orfanato nenhum. O que ele tinha era outra família, com outros filhos. E que ele com isso quase deixa todo mundo doido na família primeira. Deu um trabalho danado. Não pra neta, pra mãe da neta, filha do avô biruta.

Mas o amor dela pelo avô não vacilou nem um instantinho. Amor de neta por avô não há loucura que apague.

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