Já era a quarta vez que Ana passava o Carnaval na esperança de achar o príncipe encantado entre os foliões no Clube Piratas. Cidade pequena, mas cheia de turistas querendo banho de água de rio pra refrescar do calor infernal e rede armada embaixo das mangueiras pra dormir de tarde.
O carnaval no Clube era tradição e novidade ao mesmo tempo. O que Ana queria encontrar podia ser uma emoção antiga ou um arrebatamento. Estava preparada para tudo.
A fantasia desse ano era de odalisca. Tinha enjoado das baianas e tinha lido As Mil e uma Noites pra um trabalho da escola. Esperneou em casa que não queria mais baiana, nunca mais nessa vida, e apresentou para a mãe um desenho feito por ela mesma, da odalisca desejada. Preta, perfeita. Com pedrarias e panos esvoaçantes. Comprou confete e serpentina. Tomou uma vodca com redbull e partiu pro abraço.
De longe ouvia o táááá tá tá tá tá tá tá da banda carnavalesca. Bem legal. De perto, encarou o bilheteiro com sorriso de batom vermelho e ingresso na mão. Subiu as escadas.
Quando chegou no salão, o calor aumentou. Gente pulando, suada, bagunça mesmo, bacana. Ana se jogou no baile e o baile recebeu Ana com alegria.
Até que ela tropeçou, perdeu o equilíbrio, e aí ouviu um "opa, segura aqui em mim, não cai não."
Fizeram 25 anos de casados ontem. Ana de carnaval e o príncipe dela.

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