Ele tinha cabelos ruivos e sardas desde que nasceu. Só aumentaram com a idade, e agora, aos 21, poderia ter o apelido de ferrugem. Mas apelidos estavam fora de moda, então todo mundo o chamava pelo seu nome mesmo, Henrique. Ele não sabia se era filho do pai dele mesmo, ou do namorado da mãe. Ele era muito parecido com o namorado da mãe, mas também com o irmão dela, então ele deixava pra lá. Doía, mas ele procurava não pensar nisso. Fosse filho de quem fosse, ele era único. E ia viver a vida dele do jeito que inventasse.
Quando conheceu a menina bonita de cabelos longos e olhos sorridentes, disse que estava ocupado demais para se apaixonar. Foi fazer um curso fora, aprender a pilotar aviões de guerra. Saía um pouco com os amigos e passava a maior parte do tempo lendo.
Duas vezes por ano voltava pra casa e numa dessas vezes, viu a moça bonita se atrapalhando toda com o guarda-chuva no vento. Deixou pra lá, porque ainda não tinha terminado de aprender a viver a vida que queria. Ela conseguiu se ajeitar com o guarda-chuva sozinha.
Três anos mais tarde, sabia voar, sabia o que queria da vida e sabia que estava faltando alguma coisa, mas não sabia o quê. Até que foi nadar e viu de longe a moça secando os cabelos na beira do lago. Chegou perto e puxou um papo sobre que dia lindo, que água fresca, que vida boa.
Hoje nasceu o filhinho deles, ruivo igual ao pai, com olhos sorridentes igual à mãe.
Essa história foi curtinha.
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