Ana acordou assustada. Tinha tido um sonho ruim. Chorou alto o suficiente para acordar Clara, que veio em seu socorro. Os irmãos acordaram também e logo estavam os quatro juntos na cama de Ana, que começou a contar-lhes uma história para que talvez dormissem mais um pouquinho.
"Era uma vez um gatinho branco que queria ser preto. Tinha um pelo branco bem bonito, mas gostava de andar à noite e queria andar disfarçado. Não tinha a menor ideia sobre como realizar seu desejo, mas todo dia acordava e ia dormir com essa ideia na cabeça: quero ser preto. Numa noite especial, ele viu uma gata preta pulando de um lado para outro numa fábrica perto de casa. Ele miou alto e a gata olhou. Gostou dele de cara. Simpatizou mesmo. E aí ele, ainda na língua dos gatos, miou toda a sua história e elogiou a cor do pelo da gata. Ela disse "Se você conseguir pular essa cerca alta e vier aqui comigo, te mostro o meu segredo." O gatinho branco se esforçou bastante e conseguiu pular. Uma vez lá dentro e perto da gata, foi convidado a segui-la. Enquanto seguiam, se apresentaram: "Miau, miau, meu nome é Gal." "Miau, miau, meu nome é Mingau." E Gal logo mostrou à Mingau que havia um grande espaço cheio de carvão na fábrica. Pularam, pularam, brincaram, correram no pó de carvão. Antes de se despedirem, a gatinha mostrou um espelho e ele levou um susto porque viu dois gatos pretos e nenhum gato branco! Demorou um pouco a entender que o carvão tinha deixado ele preto. Mas acabou entendendo e foi embora satisfeito. Quando chegou em casa, a dona dele custou a perceber que ele era o seu gatinho. E quando percebeu, pegou ele e deu um banho nele, porque ela gostava dele branquinho. E daí para a frente a vida dele foi assim, alternada. De dia gato branquinho, de noite gato pretinho. Tomava muito banho, mas assim mesmo era bem feliz."
Quando acabou, só Pedro, o mais velho, continuava acordado. Até Clara estava com sono de novo. Abraçou o filho e tiraram todos uma longa soneca.
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