sábado, 20 de fevereiro de 2016

... continua. Ou não.

Trovejava. Chovia muito. Os relâmpagos, um atrás do outro, iluminavam a estrada por segundos e logo tudo ficava escuro novamente. A carruagem prosseguia com dificuldade mas já se podia ver a casa antiga e exageradamente grande no fim da estrada. Algumas chicotadas a mais no lombo dos cavalos e logo estavam saltando para se molharem todos na corrida até o porta. Fred, o mordomo, esperava com algumas toalhas.

- Entrem, entrem. Há chá e sopa quentes na cozinha e o Senhor Gustavo já vai descer para recebê-los.

Ana, a mais nova, estava excitadíssima. Nunca tinha estado numa casa tão grande e bonita. Não conseguia despregar os olhos do teto todo pintado de azul e dourado, com figuras humanas e anjos e flores.

Jonas, o menino mais velho e Pedro, o irmão do meio, já estavam brincando no chão com os cachorros mais bonitos que já tinham visto na vida.

Clara, a mãe das crianças, estava ainda orientando os carregadores até que todas as caixas com seus pertences foram trazidas para dentro da casa. Seu tio, solteirão e com um apreço especial pela solidão, tinha se compadecido dela e convidado a sobrinha para morar com ele quando soube da morte prematura de seu marido.

Ouviram seus passos descendo a bela escada de madeira e as crianças se perfilaram junto à mãe para cumprimentá-lo com reverências.

- Oh, deixem disso, sejamos menos formais, estamos em família!, disse abrindo um largo sorriso, o que encheu o coração de Clara de sossego e alegria.

... continua. Ou não.


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