Fred havia chegado bem cedo, ainda de madrugada. Tinha passado o fim de semana com seus pais, para cuidar um pouco da mãe, que estava adoentada. Logo que chegou, dirigiu-se à cozinha e encontrou Inês preparando o café.
- Olá Inês, bom dia, como vai? E como estão todos? Bem acomodados?, perguntou, oferecendo a ela ao mesmo tempo um belo ramalhete de flores do campo. - Com os cumprimentos de minha mãe., disse sorrindo.
- Ah, obrigada! Que lindas! Aqui estão todos bem, a menina é um amor e os meninos são como meninos, travessos às vezes. O senhor Gustavo está se divertindo, parece. E sua mãe, como está?
- Bem, melhorando aos poucos. Foi muito bom ter ido, ela ficou bem feliz em me ver. Já que tudo está bem por aqui, vou até o meu quarto deixar lá a minha mala e logo estarei de volta para ajudá-la. Até breve.
Inês sorriu e não conseguiu disfarçar um certo rubor. Fred era um homem muito gentil e ela estava pouco acostumada a receber delicadezas. Depositou as flores com cuidado na bancada, perto da pia, e foi até a sala. De lá voltou com um vaso de cristal esverdeado, que encheu com água. Colocou um pouquinho de açúcar também, seguindo os conselhos da avó. Cortou um pouquinho as pontas das hastes das flores e fez um belo arranjo. Com ele, enfeitou a mesa da sala, porque embora as flores tivessem sido dadas a ela, gostava de enfeitar a casa e agradar a todos.
Em instantes Fred surgiu novamente, já com a roupa de trabalho. Usava luvas brancas, terror da Inês, que se via obrigada a manter toda a casa livre de poeira. Enquanto o patrão morava sozinho, ela e Fred conseguiam dar conta de todo o serviço. Mas agora, com Clara e as crianças, parecia que haveria necessidade de contratarem alguma outra ajudante, ou para limpeza, ou para cozinhar. Veriam. Ela tentou iniciar uma conversa com Fred sobre isso, mas ele parecia bem distraído em pensamentos. Demorou a responder a contento aos seus olhares ligeiramente insistentes.
- Sim, Inês, perdoe-me. Me parece que você gostaria de conversar comigo? Eu estava aqui a pensar sobre uma ideia que tive durante a viagem. Mas posso falar sobre isso depois. Por favor...
- Eu estava pensando sobre pedirmos ao Sr. Gustavo para contratar uma nova ajudante... Com a família aumentada, eu já sinto medo de não conseguir manter o mesmo padrão de antes... O que acha, Fred? Acha impertinência minha?, perguntou, franzindo a testa ligeiramente.
Fred pensou um pouco antes de responder.
- Talvez. Talvez o Sr. pense que sim. Talvez pudéssemos nós dois rever as obrigações da casa e assim poderemos fazer uma nova partilha entre nós. Mas claro, posso também conversar com ele sobre isso, caso você prefira. Posso fazer isso amanhã, ou assim que pensarmos um pouco e chegarmos a um consenso, que tal?, e deu uma piscadinha de olhos para Inês.
Desta vez, ela não conseguiu nem disfarçar. Fred viu a moça ruborizar e achou graça. Sorriu, retirou a flor mais bonita que encontrou no vaso de cristal e deu a ela novamente.
- Esta é para você mesma, Inês. Enfeite o seu cabelo com ela. Você combina com flores. Nos vemos mais tarde, vou aproveitar esta manhã tão agradável para ir até o estábulo e trazer um bom leite para o café da manhã. Volto já.
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