segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Voltou pra casa diferente para sempre.

Nunca havia realmente refletido sobre Deus como força criadora. Mas hoje aconteceu o estalo: o que importa é a criação. E também a ideia de sermos nós feitos à Sua imagem e semelhança, estando da mesma forma impregnados de poder e capacidade para criar aquilo que quisermos. Esse é o segredo.


Clara saltou do barco e gostou da sensação do corpo molhado de mar. Os dias na ilha tinham deixado sua pele linda, com cor de sol e gosto de sal. O cabelo, longo e cheio, estava ainda mais bonito, raios dourados emoldurando seu rosto de moça bonita. Pegou a bolsa com o marinheiro, que se inclinava para que ela alcançasse com mais facilidade. Sorriu e desejou a ele boa viagem de volta.

- Manda uns beijos para a ilha por mim!, falou mais alto para que ele ouvisse enquanto se afastava, e ela sentiu um aperto no peito, porque sabia que ia sentir saudade.

Nem podia acreditar no que tinha vivido nestes dias. Medrosa do jeito que sempre tinha sido, quem diria que ela iria pilotar lanchas, puxar gente em esqui aquático, praticar windsurf, nadar entre cardumes e pescar com o barco a motor balançando bem perto das pedras onde os peixes vem comer e acabam virando comida. Claro que teve muito apoio dos amigos, mas ela tinha mesmo feito tudo sozinha, logo ela, uma pessoa que até então só tinha feito ler e estudar, estudar e ler. O irmão sim, o irmão era atleta, sempre tinha sido. Mas Clara não. Clara era de ficar no quarto o dia inteiro, branquinha de nunca pegar sol. E agora ela estava ali, vendo o barco voltar pra ilha... e se deu conta de que algo dentro dela nunca iria sair de lá. Suspirou e sorriu. Voltou pra casa diferente para sempre.


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