domingo, 24 de janeiro de 2016

Começou a chorar compulsivamente.

Desceu as escadas da porta para a rua levantando a gola do casaco. O vento estava forte e gelado, mas hoje ele tinha um encontro importante e não dava pra simplesmente ficar na cama o dia inteiro, como tinha feito nos últimos 15 dias. Queria revê-la.  Conversariam e quem sabe ele conseguiria fazer com que ela esquecesse o último encontro e o que tinha acontecido lá. Tinha tudo sido uma grande confusão e agora, com todas as pessoas envolvidas tendo tido um tempo para esfriar a cabeça, ele tinha uma nova chance para se explicar.

Caminhava rápido, e dobrou a esquina aliviado, dando um corte no vento. Viu a dona do café da esquina abrindo a porta e achou que era uma boa ter uma bebida quente nas mãos e na boca. Ouviu o sino da porta balançar quando entrou. A fumaça do café saindo por detrás do balcão tornava o pequeno espaço ainda mais aconchegante. Ficou olhando a vitrine de bolos e tortas enquanto preparavam a sua bebida. Comprou um bolinho de frutas para ela. Saiu de lá com mais disposição para enfrentar o frio.

Em 20 minutos estava na porta. Tocou o interfone, não obteve resposta, mas ainda tinha consigo as chaves extras. Abriu o portão, subiu as escadas até o apartamento, bateu e esperou. Nada. Usou sua chave e abriu a porta devagar. Andou pelo apartamento e concluiu que ela não estava. Resolveu sentar-se e esperar, ela devia ter ido perto, porque sua carteira e o celular estavam sobre a mesinha de centro. Colocou o pacote com o bolinho ali, para que ela visse logo ao chegar.

Esperou duas horas inteiras, até que ouviu passos subindo as escadas. Havia deixado a porta entreaberta, para que ela não se assustasse ao vê-lo dentro de casa. Sentiu a mão pesada do policial nas suas costas e ouviu que estava sendo preso como suspeito principal da morte de Ana.

- Mas não fui eu, eu vim aqui explicar isso para ela.

- Ela, quem?, perguntou o policial.

- Minha namorada, a que mora aqui neste apartamento. Daqui a pouco ela chega e vamos conversar.

- Sua namorada, Ana, está morta. O senhor é suspeito de tê-la matado há 15 dias atrás.

Começou a chorar compulsivamente.


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