O dia tinha começado estranho, escuro, chuva fina, ao invés do sol escaldante e céu azul sem nuvens das últimas semanas. Além disso, custou muito a amanhecer. Horas e horas no escuro, luzes acesas dentro de casa, o relógio mostrando 9 horas da manhã e o dia com aquela cara de 4 e meia. Estranho, mesmo. Procurou notícias, mas reparou que estava sem conexão. Televisão e rádio não tinha há muito tempo, totalmente satisfeito com o que conseguia na rede. Enfim, acreditou que ia dar tudo certo e depois do banho e do café, foi pegar o carro para ir para o trabalho.
Quando abriu a porta de casa, ficou aterrorizado. Seu carro não estava na garagem e a garagem também não estava mais lá. Nada estava mais lá. Muro, quintal, rua, as casas dos vizinhos, tudo havia desaparecido. Quis voltar para casa para tornar a sair e conferir se não era sonho. Não conseguiu. A casa também tinha sumido e ele estava completamente só, envolvido por um dia que parecia noite, diante de um vazio sem fim, apavorante.
Sentiu o fio de suor gelado escorrer pela espinha. Parado no mesmo lugar ele não ia ficar, mas andar para onde? Pensou em Ana. Tentou o telefone, mas não funcionou também. Fechou os olhos com força e tentou se acalmar pra ter a mínima possibilidade de pensar em alguma coisa que fizesse sentido. Ouviu o som da voz de Ana dizendo amor, amor...
Acordou assustado nos braços dela, respirando em descompasso. Abriu os olhos e viu o sorriso de Ana, e sorriu de volta, aliviado. Levantou devagar e foi até a janela. Não gostou do que viu. O dia estava estranho, escuro, chuva fina.
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