- Ah, mas vem aqui só um pouquinho!
Tinha conseguido fazer o telhado de bertalhas e queria mostrar para alguém. Incrível como cresceram rápido, como gostaram desse verão abençoado de muito calor sim, mas de muita chuva também. Chuva de verão, a melhor que existe. Lembrou de um dia no parque, quando no fim de uma tarde passeando com o namorado, caiu uma chuvona dessas. Um monte de pingo gigante na temperatura ideal. Tudo quanto foi planta ficou feliz que nem ela, e o cheiro de chuva subiu forte. Uma delícia de lembrar e de viver sempre que pode. Tem verão que é só quente e seco, esse ninguém merece. Muita poeira. Verão tem que ser que nem esse, de sol e chuva.
Mas, voltando à bertalha, a planta preferida dela. Bertalha cresce. Muito. Rápido. Muito rápido. É impressionante. E as folhas tem pequenininhazinha e pequena e média e maiorzinha e grande e grandona e imensa. Tem tudo. E você pode comer. Ela gostava refogadinha com ovo abafado ou na sopa. E gostava muito.
Quando era pequena tinha um dia ido passar roupa de brincadeira no quartinho lá de trás da casa da avó. No caminho, um tendal de bertalhas, ela passando em baixo com o ferrinho de passar na cabeça quando - PAF! Caiu tendal de madeira velha e bertalhada tudo em cima dela, que ficou lá estendida no chão ouvindo o alvoroço dos adultos até ser salva pelo avô, sempre forte e atlético. Ganhou carinho, chorou pouquinho, foi levada no médico pra ver se estava tudo certinho e acabou ganhando um dia de folga na escola, um monte de revistinha e uma boneca nova.
E hoje ela estava orgulhosa da sua ideia de telhado de bertalha onde antes criava as abelhas ter dado certo.
- Vem amor, vem ver o telhadinho como está lindo!
Ele veio.
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