Ana acordou e viu que ainda estava escuro. Seu quarto tinha essa janelinha que mantinha contato constante com o céu. Dava pra ver se já estava amanhecendo, ou se já era dia mesmo, ou se estava nublado, ou azul. E agora ela podia ver que estava bem de noite ainda. Sentou na cama devagar e calçou os sapatos verdes, velhinhos e confortáveis. Enquanto andava pensou em como gostava do marido. Sozinha, à noite, sentiria mais medo. Lembrou de quando era pequena, de quando o medo era ainda maior do que ela. A avó, quando Ana era pequena, ajudava a espantar o medo grande. Toda vez que visitava a casa, dormia no quarto de Ana. E essas eram noites de janelas totalmente abertas.
Caminhou pela sala. A luminária antiga esverdeava a pouca luz. Tinha sido da outra avó de Ana e era linda. Chegou na cozinha e resolveu abrir a geladeira; ficou ali, olhando pra dentro, por um tempo. Bocejou bem comprido, mais de uma vez. Sentiu um pouco de frio.
Ana voltou pra cama com um copo de água e uma tijela com banana, aveia e mel. Viu mais um pouquinho de filme enquanto comia. Bocejou de novo e resolveu que já era hora. Guardou o computador, ajeitou o travesseiro, deitou de lado e se aconchegou ao marido. Desculpou-se silenciosamente por não ter ido escovar os dentes e preferido talvez sonhar sentindo gosto de fruta. Fechou os olhos. E dormiu.
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